FMI pede atenção de Bancos Centrais com alta do petróleo

O economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Raghuram Rajan, acredita que, no curto prazo, os efeitos diretos do preço do petróleo nos níveis atuais sobre o crescimento e a inflação devem ser moderados. "Mas as autoridades monetárias devem ficar vigilantes", afirmou Rajan, destacando que, com o recente histórico de inflação elevada, esta postura deve ser ainda mais forte nos bancos centrais da América Latina. Rajan disse ainda que, dada esta possibilidade de aperto monetário nos países em desenvolvimento, como forma de controlar a inflação pressionada pela alta do petróleo, é preciso estar atento ao encarecimento da dívida do país. Contudo, neste momento, ressaltou Rajan, não há motivos para alarmes. Mas, em caso de necessidade, Rajan recomenda que os países emergentes elevem as taxas de juros antes, evitando as conseqüências da alta do petróleo sobre a inflação. "É melhor agir antes do que esperar a inflação disparar para agir depois", afirmou. Impacto sobre o crescimento Rajan, considera que até um certo nível o efeito da alta do petróleo sobre a atividade econômica é linear. "Regra geral, cada US$ 5 de aumento no preço do barril do petróleo por ano tem um efeito negativo de 0,3 ponto porcentual do crescimento global." Porém, segundo ele, a partir de que ponto o efeito da alta do petróleo passa a ser não-linear e pesar ainda mais sobre a economia mundial é uma questão difícil de se responder. No documento World Economic Outlook (Perspectiva Econômica Mundial), divulgado hoje, o FMI projeta um preço médio do petróleo (no mercado à vista tomando-se média simples para os óleos Brent, WTI e o Dubai) para este ano de US$ 28,9 o barril -- ante US$ 15,8 o barril registrado como média em 2003. Contudo, o FMI não faz projeções para o preço do petróleo para 2005.

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