FMI pede 'limpeza' rápida de ativos problemáticos de bancos

Diretor do Fundo prevê recuperação econômica em 2010, alerta que ela pode ser prejudicada por ativos

Agência Estado e Dow Jones,

08 de junho de 2009 | 16h35

Os países precisam acelerar a "limpeza" dos ativos tóxicos dos bancos para conseguir que o crédito circule novamente, ou poderão prejudicar a recuperação econômica em 2010, afirmou o diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn.

 

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"O cenário mais digno de confiança é de que a recuperação vai acontecer no primeiro semestre de 2010, com um ponto de virada em setembro ou outubro", disse Strauss-Kahn em discurso no Fórum Econômico Internacional das Américas, em Montreal.

 

Mas os países precisam acelerar os esforços para livrar os setores bancários dos investimentos ruins que provocaram a crise de crédito global, alimentando a recessão, disse ele. "O processo está muito lento."

 

"Esse provavelmente é o maior risco negativo para uma recuperação em 2010. Nunca iremos nos recuperar até que a limpeza seja concluída", afirmou.

 

Europa

 

Apesar de algumas indicações iniciais de alívio de uma profunda recessão que tragou a zona do euro, o FMI exortou os formuladores da política a acelerarem os esforços para lidar com a continuada fraqueza nos sistemas financeiros. Na avaliação anual da zona do euro, o FMI disse que espera uma modesta recuperação a partir do primeiro semestre de 2010.

 

"A zona do euro está atolada na recessão", onde os sinais experimentais de melhora ainda vão se desenvolver em uma recuperação, segundo o relatório do Fundo, alertando que a retomada do crescimento será lenta e incerta. Em abril, o FMI previa para a zona do euro uma contração de 4,2% este ano, com um declínio de 0,4% em 2010.

 

"Um elemento fundamental que falta é uma estratégia pró-ativa para lidar com um sistema financeiro enfraquecido, envolvendo uma revisão das necessidades de capital para gerenciar a recessão, uma limpeza no sistema financeiro dos ativos enfraquecidos e uma reestruturação das instituições debilitadas", disse o Fundo, criticando a "abordagem por etapas" para reforçar as instituições financeiras.

 

Embora o FMI tenha reconhecido a ação sem precedentes tomada pelos formuladores da política para ajudar a estabilizar o sistema bancário, o organismo multilateral também observou que o estresse no mercado financeiro persiste e que "perdas consideráveis estão adiante".

 

O Fundo pede que os bancos na região se submetam a revisões amplas para avaliar as necessidades de capital no caso de um colapso econômico prolongado, com a divulgação dos resultados. Onde for necessário, essas avaliações devem ser seguidas por medidas de recapitalização, reconstrução ou dissolução dos bancos, com a União Europeia assegurando a harmonização.

 

Regimes de dissolução para lidar com bancos falidos também devem ser melhorados e expandidos para permitir que os governos nacionais tomem o controle das instituições nos estágios iniciais, diz o relatório do Fundo. O FMI também disse que o plano da Comissão Europeia para revisar a supervisão do mercado financeiro deve ser implementada rapidamente.

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