FMI pede menos austeridade ao governo britânico

Para Fundo, se país continuar com programa pode causar 'perda permanente da capacidade produtiva'

LONDRES, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2013 | 02h08

O Fundo Monetário Internacional (FMI) apelou ontem ao governo do Reino Unido que diminua seu programa de austeridade para evitar danos de longo prazo à perspectiva de crescimento do país.

Lançado em 2010, o programa de austeridade é a base da política britânica e o ministro de Finanças, George Osborne, já indicou que não vai alterar seu curso. O FMI costumava apoiar o plano de austeridade, permitindo a Osborne usar a aprovação do Fundo para seguir em frente com ambiciosas medidas para sanear as finanças públicas do Reino Unido.

A economia britânica, no entanto, se estabilizou desde que o governo atual tomou posse, em 2010, e o FMI alertou que um longo período sem crescimento pode causar danos duradouros, com as empresas sem confiança para fazer investimentos e tornar a economia mais produtiva e capaz de ampliar as exportações.

Para o FMI, o país está "bem longe de uma recuperação forte e sustentável" e mais cortes de orçamento "vão enfraquecer a produção, com o risco de perda permanente da capacidade produtiva".

O Reino Unido foi uma das primeiras grandes economias a adotar um programa de redução de gastos e aumentos de impostos, numa tentativa de reduzir um enorme déficit fiscal provocado pela crise financeira.

Na avaliação do Fundo, com os custos de financiamento em níveis historicamente baixos, o governo tem condições de flexibilizar os esforços de austeridade para fornecer "suporte à economia no curto prazo". O FMI também sugeriu que o Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) mantenha a "postura acomodatícia" por um período mais longo, acrescentando que o banco central inglês deve deixar clara sua intenção para famílias e empresas.

Divisão no BoE. As principais autoridades do Banco da Inglaterra permaneceram divididas pelo quarto mês seguido em maio por 6 a 3 em relação a reiniciar o programa de compra de ativos, em meio a sinais de que a economia está melhorando.

Como esperado, o presidente do BC, Mervyn King, foi derrotado em sua penúltima reunião de política monetária antes de se aposentar, ao pedir de novo mais 25 bilhões de libras em compras de ativos. Mas a maioria das outras autoridades mostrou preocupações de que os mercados podem criar dúvidas sobre o compromisso do banco em reduzir a inflação, assim como destacaram que as perspectivas de crescimento estão mais fortes do que há três meses. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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