FMI pede novo plano econômico à Argentina

Mais uma vez, o Fundo Monetário Internacional (FMI) fez novas exigências ao governo do presidente Eduardo Duhalde, como condição sine qua non para conseguir um acordo financeiro. O conjunto de exigências foi feito pelo representante do Fundo na Argentina, Gilbert Terrier, que declarou que o governo Duhalde deverá ?estabilizar as contas fiscais, reduzir o déficit da União e das províncias, desenvolver um programa monetário que permita uma inflação baixa, sair do congelamento de preços dos serviços e implementar um plano de ajuda para a pobreza?.Além disso, afirmou, o país terá que iniciar a renegociação da dívida externa pública com os credores internacionais privados. Como consolo para o governo Duhalde, Terrier admitiu que sua administração ?fez alguns avanços? em diversas exigências do FMI.O governo Duhalde tampouco teve boas notícias por parte do governo dos Estados Unidos. Nesta quarta-feira, o secretário-adjunto do tesouro americano, Ken Dam, ressaltou que o governo do presidente George W. Bush apóia países ?que seguem políticas econômicas corretas?. No entanto, a Argentina não integraria a lista dos países que seguem a receita do FMI de forma adequada.Dam sustentou que ?no caso da Argentina, os Estados Unidos estão preparados para apoiar uma maior assistência através do FMI, logo que as autoridades desse país consigam um programa econômico sustentável?. As declarações de Dam são similares às realizadas nos últimos dias por integrantes do FMI, que afirmaram que a Argentina ainda não conseguiu elaborar um plano econômico ?sustentável? o suficiente para proporcionar as condições para um acordo com o organismo financeiro.Além disso, minimizando o eventual impacto da crise argentina nos países da região, Dam afirmou que o ?o contágio não é inevitável?. Segundo Dam, ?os mercados conseguiram diferenciar bem entre a dívida soberana da Argentina e a dívida soberana dos outros países?.Com este panorama pouco propício, nesta quinta-feira, o secretário de Finanças, Guillermo Nielsen, retomará as discussões com o FMI em Washington, para analisar a possibilidade de conseguir um acordo financeiro para a Argentina. Nielsen estará acompanhado pelo presidente do Banco Central, Aldo Pignanelli.Os dois se encontrarão com a nova equipe de Anoop Singh, chefe do Departamento Ocidental do FMI. A nova equipe é composta por integrantes da ?linha-dura? do FMI. A intenção do governo Duhalde é assinar o acordo com o Fundo antes de outubro, já que nesse mês o país enfrentará o vencimento de uma dívida de US$ 800 milhões com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).Antes de partir para Washington, ainda em Londres, Nielsen afirmou a um grupo de credores que a intenção do governo Duhalde é iniciar a renegociação da dívida externa pública argentina ?imediatamente após? o fechamento de um acordo com o FMI. Durante a reunião com credores italianos e alemães, Nielsen pediu que não entrassem com processos na Justiça contra o Estado argentino por causa dos bônus em default.O ministro da Economia, Roberto Lavagna, declarou nesta quarta-feira que não teme que os fundos liberados do semicongelamento de depósitos bancários possam causar um aumento do dólar. Lavagna referia-se ao anúncio realizado na véspera, da liberação dos prazos fixos abaixo de 7 mil pesos. Calcula-se que, com esta abertura parcial do confisco, 1,4 bilhão de pesos poderá voltar a circular livremente.Em sintonia com Lavagna, os presidentes das duas associações de bancos ? Carlos Heller, da Associação de Bancos Públicos e Privados da República Argentina (ABAPPRA), e Mario Vicens, da Associação de Bancos da Argentina (ABA) - descartaram a possibilidade de que o dólar vá aumentar sua cotação de forma significativa. Diversos analistas sustentam que este circulante, que estará à disposição dos correntistas a partir de 1º de outubro, causará uma nova disparada do dólar, que, nas últimas três décadas costumou ser o refúgio seguro das economias dos argentinos.Leia o especial

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