FMI pede que BC dos EUA adie para 2016 alta na taxa de juros

O Fundo Monetário Internacional (FMI), dirigido por Christine Lagarde, voltou a recomendar em um documento divulgado ontem que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) adie a alta de juros no país para a primeira metade de 2016. A avaliação é que a autoridade monetária deve esperar por mais sinais de pressão inflacionária e de alta dos salários. Um dos riscos de uma elevação prematura das taxas seria parar a economia americana em 2016.

Altamiro Silva Júnior, O Estado de S.Paulo

08 de julho de 2015 | 02h05

A primeira elevação dos juros pelo Fed em nove anos tem sido cuidadosamente preparada e comunicada, segundo o documento do Fundo. Apesar disso, taxas maiores nos EUA podem gerar "significativa volatilidade nos mercados", por causa do rebalanceamento das carteiras globais, o que traria "consequências à estabilidade financeira" que vão muito além das fronteiras dos EUA, diz o FMI.

"O Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto, que reúne os dirigentes do Fed) deve permanecer dependente dos indicadores e adiar a primeira elevação das taxas até que haja mais sinais de inflação salarial ou de preços do que os observados atualmente", afirma o relatório. "Com base em previsões macroeconômicas da nossa missão, e salvo surpresas positivas no crescimento econômico e inflação, isso seria deixar a elevação para o primeiro semestre de 2016", com a recomendação de altas graduais.

O FMI divulgou ontem o relatório "Artigo 4" completo dos EUA. No começo de junho, a instituição havia revelado apenas as conclusões principais do documento, em que cortou a previsão para o crescimento do país em 2015 para 2,5%, abaixo da estimativa anterior, divulgada em abril, que previa alta de 3,1% no Produto Interno Bruto (PIB). A previsão para 2016 também foi ajustada, mas em ritmo menor. A expectativa é que o PIB avance 3,0% no ano que vem, ante 3,1% estimado anteriormente.

Frio. O FMI argumenta que a economia dos EUA no primeiro trimestre foi afetada por fatores temporários, como o inverno rigoroso e uma greve nos portos, enfraquecendo a atividade, mas destaca no relatório que a atividade econômica vem ganhando força. Um crescimento sustentável em 2015 e 2016 deve levar o PIB dos EUA de volta ao seu potencial no fim de 2017, destaca o FMI. Contudo, o nível de expansão potencial, ao redor de 2% ao ano, está ainda em um nível mais fraco do que antes da crise financeira mundial. Por isso, o FMI recomenda que questões estruturais sejam resolvidas, de modo a aumentar a produtividade do trabalhador e estimular o investimento privado.

O dólar valorizado está tendo reflexos negativos na atividade econômica dos EUA e também afetando a inflação, afirma o relatório. O Fundo destaca também que o setor imobiliário ainda não deu sinais de uma recuperação completa. 

 

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