FMI: perspectivas para o dólar

Na quinta revisão do acordo do Brasil com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o dólar usado como base dos cálculos foi de R$ 1,75. Na revisão anterior, este número era de R$ 1,98. Isso não significa que a moeda norte-americana deva ficar fixa nesse valor. O Banco Central (BC) continua comprometido com a estratégia de câmbio livre, segundo a qual a taxa varia de acordo com as movimentações do mercado.Uma das principais mudanças apontadas por Marcelo Cypriano, economista do BankBoston, é a redução da meta para o volume de reservas cambiais. Antes da quinta revisão do acordo, o montante estava em US$ 29,800 bilhões. Esse volume caiu para US$ 25 bilhões. De acordo com Cypriano, o piso das reservas cambiais era crescente ao longo de 2000. Isso obrigava o Banco Central a emitir títulos para captar moeda norte-americana. Com a redução da meta, o BC poderá emitir menos títulos e as empresas do setor privado poderão ter mais espaço para captar recursos no exterior. "Caso isso aconteça, teríamos um volume maior de dólares no País e isso reduziria a pressão sobre a taxa de juros. Com isso, espera-se que o preço da moeda norte-americana caia até o final do ano", explica Cypriano. Chase Manhattan: "dólar será o que o mercado quiser" Luis Fernando Lopes, economista-chefe do Chase Manhattan Bank, não tem a mesma opinião. Ele acredita que o preço da moeda norte-americana está muito mais influenciado pela taxa de juros nos Estados Unidos, pelas oscilações do mercado internacional e pelo preço do petróleo do que pelo volume de reservas cambiais."De nada adianta a queda na meta das reservas, se o risco Brasil está muito elevado e, por isso, as empresas têm que pagar juros altos para vender seus títulos lá fora", afirma Lopes. O economista está confiante que a cotação da moeda norte-americana no País vai acompanhar exclusivamente as oscilações do mercado internacional. Lopes também discorda do fato de que as empresas brasileira vão recorrer às emissões de títulos no exterior. Isso porque existe uma expectativa de que o Banco Central vai retomar a tendência de queda das taxas de juros, assim que o cenário internacional estiver menos oscilante. "Com essa perspectiva, as empresas têm reduzido suas dívidas no exterior e aguardam uma melhora no cenário interno para captar dinheiro mais barato aqui dentro", afirma.

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