Yuri Gripas/ Reuters
FMI reduz projeções para o PIB brasileiro Yuri Gripas/ Reuters

FMI reduz projeção de crescimento do Brasil para 5,1% em 2021 e para 1,5% em 2022

Economista-chefe do Fundo disse que revisão é fruto dos 'efeitos que esperamos com a alta dos juros, diante da inflação alta no Brasil e também por causa da previsão de menos crescimento nos EUA, importante parceiro comercial'

Ricardo Leopoldo e Gabriel Bueno da Costa, O Estado de S.Paulo

12 de outubro de 2021 | 10h18

WASHINGTON e SÃO PAULO - O Fundo Monetário Internacional reduziu um pouco a projeção do crescimento do Brasil para 2021, da estimativa de 5,3% divulgada em julho para 5,2% agora, de acordo com o relatório Perspectiva Econômica Mundial. Para 2022, a revisão para baixo foi maior, pois passou da estimativa de crescimento do País de 1,9% para 1,5%. Para 2026, o FMI prevê uma alta de 2,1% do Produto Interno Bruto.

A economista-chefe do FMI, Gita Gopinath, afirmou que o "pequeno corte" na projeção para o crfescimento do Brasil neste ano  é resultado do aperto na política monetária e também do quadro nos Estados Unidos. Ela citou o País brevemente, durante entrevista coletiva no lançamento da publicação.

Gopinath disse que a revisão é fruto dos "efeitos que esperamos com a alta dos juros na política monetária, diante da inflação alta no Brasil e também por causa da previsão de menos crescimento nos Estados Unidos, que é um importante parceiro comercial". Por outro lado, o FMI também notou que o avanço dos preços das commodities e o retorno dos setores industrial e de serviços após o auge do choque da pandemia da covid-19 "tem sido importante para a recuperação" brasileira.

O Fundo não divulgou, há dois meses, projeções para inflação, resultado de transações correntes e taxa de desemprego e as últimas previsões para estes indicadores foram comunicadas em abril. Neste contexto, o Fundo estima que o IPCA subirá 7,7% neste ano, acima dos 4,6% informados anteriormente, enquanto que para 2022 este índice de preços ao consumidor avançará 5,3%, superior aos 4% estimados há seis meses.

Segundo o FMI, a projeção para o déficit de transações correntes como proporção do PIB caiu um pouco para 2021, de 0,6% para 0,5%, enquanto aumentou para o próximo ano, de 0,8% para 1,7%. No caso da taxa de desemprego, ocorreram reduções das estimativas de 14,5% para 13,8% em 2021 e de 13,2% para 13,1% no próximo ano.

O Fundo fez poucos comentários sobre a evolução da economia do Brasil. O documento destacou que suas projeções para as contas públicas refletem anúncios de políticas pelo governo realizados em 31 de maio deste ano e consideram "conformidade total com o teto constitucional de gastos".

O FMI apontou que premissas para a política monetária no País "são consistentes com a convergência da inflação em direção ao centro da meta no final de 2022". O Fundo citou que as ações do Banco Central "mudaram para uma postura menos acomodatícia desde o final de 2020", o que também ocorreu no Chile, México e Rússia.

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FMI reduz previsão de crescimento mundial para 5,9% em 2021 e mantém alta de 4,9% em 2022

Fundo afirma que os riscos para a economia internacional persistem, sobretudo com a variante delta ainda em circulação

Ricardo Leopoldo, enviado especial

12 de outubro de 2021 | 10h34

WASHINGTON - Apesar do avanço da vacinação em diversos países contra a covid-19, os riscos para e economia internacional persistem, sobretudo com a variante delta, o que levou o Fundo Monetário Internacional (FMI) a reduzir um pouco a previsão de alta do crescimento global de 6,0% para 5,9% neste ano, mantendo a estimativa de expansão de 4,9% em 2022, segundo o relatório Perspectiva Econômica Mundial.

De acordo com Gita Gopinath, economista-chefe do FMI, "a perigosa divergência" no cenário de evolução da demanda agregada pelo mundo continua uma grande preocupação. Segundo ela, a produção dos países avançados deve atingir os níveis pré-pandemia em 2022 e exceder tal patamar em 0,9 ponto porcentual em 2024. Por outro lado, ela pondera que o nível de atividade em mercados emergentes e nações em desenvolvimento, com exceção da China, deve ficar 5,5 ponto porcentual abaixo do nível anterior à covid-19 em 2024, o que resultará em "grandes retrocessos para a melhora das condições de vida" de seus cidadãos.

O FMI ressalta que as ações dos países ricos para assegurar a imunização em nações em desenvolvimento são fundamentais para o crescimento global e para o controle da pandemia. "Enquanto perto de 60% da população em economias avançadas estão totalmente vacinadas e alguns estão recebendo os reforços, cerca de 96% da população em países de baixa renda continuam sem vacinas", destacou Gopinath.

Na sua avaliação, os mercados emergentes estão removendo com maior rapidez estímulos a empresas e famílias devido ao risco de perder a ancoragem de expectativas de inflação e diante de condições financeiras mais apertadas.

De acordo com o Fundo, a prolongada pandemia provocou interrupções da fabricação de mercadorias, o que, aliado à alta de commodities, gerou um incremento expressivo da inflação de forma global, prejudicando países avançados, como os EUA e a Alemanha, e também nações em desenvolvimento.

O FMI também ressaltou que mudanças climáticas são um risco importante para a evolução da economia global e medidas para coibir a emissão de carbono devem ser adotadas, como um imposto sobre CO2 em termos mundiais.

Projeções

O Fundo Monetário Internacional reduziu a previsão de crescimento dos EUA de 7% para 6% neste ano, mas elevou de 4,9% para 5,2% em 2022.

No caso da China, o FMI baixou um pouco a projeção de expansão do Produto Interno Bruto, de 8,1% para 8,0%, em 2021 e também diminuiu levemente, de 5,7% para 5,6%, a estimativa para o próximo ano.

Em relação à zona do euro, o Fundo aumentou a previsão de elevação do Produto Interno Bruto (PIB) de 4,6% para 5,0% neste ano e manteve os 4,3% de avanço do indicador em 2022.

Para o Japão, o FMI reduziu a estimativa de crescimento de 2,8% para 2,4% em 2021, enquanto subiu de 3,0% para 3,2% no próximo ano.

Cenários alternativos

Desde que surgiu o coronavírus, o fundo divulga cenários alternativos para a economia mundial em relação às suas projeções básicas. Desta vez, o FMI divulgou duas análises com desdobramentos negativos para o crescimento global.

Em um deles, a variável chave é um aumento maior do que o esperado da inflação nos EUA em três anos. Ao ponderar que as expectativas para os índices de preços no país receberão um choque de 0,5 ponto porcentual entre 2022 e 2024, tal fato geraria respostas de política monetária do Federal Reserve mais rápidas e alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano de longo prazo. Estes fatores levariam o PIB do país para uma marca menor em 1,25 ponto porcentual em 2026 do que o previsto pelo FMI. Os mercados emergentes registrariam uma redução do Produto Interno Bruto de 1,50 ponto porcentual, um impacto quase 4 vezes maior do que ocorreria em economias avançadas, excluídos os EUA.

De acordo com o cenário desfavorável, o Fundo considera as implicações econômicas caso o mundo precise continuar a lidar com a covid-19 no médio prazo. E isto ocorreria devido à possibilidade de que a vacinação não acabará com a circulação do novo vírus, devido à falta do medicamento em muitos países ou porque em outras nações que têm alta disponibilidade de vacinas, grande parte dos seus habitantes preferem não tomá-la. Em tais condições, seria retirado do crescimento global mais de um ponto porcentual em 2025, sendo que as economias avançadas sofreriam mais impactos do que os mercados emergentes por causa da hesitação de pessoas para serem imunizadas.

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