FMI planeja cortar até 15% dos funcionários

Strauss-Kahn tenta recuperar papel do Fundo no cenário mundial

Dow Jones Newswires, Washington, O Estadao de S.Paulo

07 de dezembro de 2007 | 00h00

Com a forte queda na demanda por empréstimos ao Fundo Monetário Internacional (FMI), o novo diretor-gerente, Dominique Strauss-Kahn, disse que planeja cortar até 15% dos funcionários, na primeira rodada significativa de demissões desde que o Fundo foi criado, em 1945. Trata-se da primeira iniciativa de Strauss-Kahn para recuperar a relevância do FMI num momento em que os países em desenvolvimento crescem rapidamente, com freqüência com grandes reservas estrangeiras, e têm pouca necessidade de recorrer ao Fundo. Os cortes de funcionários são parte da estratégia para ganhar o apoio dos Estados Unidos e da Europa para um plano de vender parte das reservas em ouro do FMI para investir em ativos de maior retorno. Ele venderia 400 toneladas de ouro dos estoques de 3.217 toneladas do FMI para criar um fundo. "Tudo isso é possível apenas se eu tiver o compromisso de diferentes governos" para aumentar a receita do FMI, disse Strauss-Kahn. "Se não, nada será feito."Durante a entrevista, o ex-ministro francês de Finanças mergulhou em diversas questões polêmicas. Sobre câmbio, disse que a forte queda do dólar é um movimento "na direção certa". Ecoando pedidos dos Estados Unidos e da Europa, disse que a China deveria deixar o yuan se valorizar, mas isso não será suficiente para restaurar o equilíbrio da economia global.O FMI também tem um papel importante para assegurar que os fundos soberanos - enormes fundos de governos que cada vez mais investem nos EUA e na Europa - atuam de forma amigável, disse Strauss-Kahn. Porém, ele fez distinções entre os fundos da Arábia Saudita, Noruega e outros nações petroleiras e os da China. Países com recursos naturais estão formando fundos de investimento para as futuras gerações, quando os recursos naturais se esgotarem. Já o fundo de US$ 200 bilhões da China se beneficia de um boom de exportação produzido em parte pelo câmbio subvalorizado. Segundo Strauss-Kahn, o FMI terá déficit anual de US$ 400 milhões por volta de 2010, se a demanda por empréstimos não se recuperar. Ele reduziria o déficit em cerca de US$ 100 milhões com um corte de 2.634 para 300 ou 400 empregos. Strauss-Kahn disse que quer recuperar as relações com a Argentina, severamente afetadas desde a crise econômica de 2001. Ele planeja visitar o país a partir de domingo para a posse da presidente eleita Cristina Kirchner, primeira visita de um chefe do FMI em cerca de três anos.

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