FMI precisa começar a recusar ajuda, diz Rato

O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Rodrigo de Rato, disse que a instituição precisa começar a recusar alguns empréstimos para incentivar políticas macroeconômicas sustentáveis entre seus membros. "Os empréstimos do FMI para o México em 1995, para a Coréia do Sul em 1997 e os apoios mais recentes ao Brasil e a Turquia são alguns dos exemplos do passado recente onde uma grande ajuda foi apropriada", disse De Rato, na sessão plenária da reunião anual do FMI, que terminou ontem, em Washington."Mas também precisamos de um Fundo que possa dizer não. A perspectiva de uma recusa do Fundo em dar apoio financeiro iria fortalecer o incentivo para a implementação de políticas consistentes, evitando a necessidade do apoio do Fundo." De Rato destacou a importância das ações de monitoramendo da economia mundial pelo Fundo, mas admitiu que o sistema ainda tem de ser aperfeiçoado.Países ricosO representante da China no FMI, Zhou Xiaochuan, cobrou da organização uma vigilância mais atenta à economia dos países ricos. "Nós reconhecemos os esforços dos Fundo para promover o crescimento econômico e a estabilidade financeira através do fortalecimento de seus mecanismos de vigilância, mas acreditamos que o Fundo deve aumentar o foco no monitoramento dos grandes países desenvolvidos, que tem um impacto significativo na economia mundial", disse."Esses países deveriam ser encorajados a coordenar melhor suas políticas macroeconômicas, a manter a estabilidade nas taxas de câmbio entre as principais moedas, a aumentar a ajuda financeira ao desenvolvimento e a manter os seus mercados abertos."O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, John Snow, disse que a trajetória da economia de seu país é boa, mas admitiu que o déficit é um problema que tem que ser - e está sendo - resolvido. "Os fundamentos da economia americana são sólidos, com a produtividade aumentando, a inflação modesta, as taxas de juros baixas e a criação de empregos continuando", disse."(O déficit fiscal federal) é de pouco mais de 3,5% do PIB e continua baixo se comparado com os índices dos anos 80 e 90. Mas déficits são sempre muito altos e esperamos atingir o objetivo do presidente de cortar o déficit pela metade nos próximos cinco anos", afirmou Snow.

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