FMI prevê que economia global vai crescer 4,9% em 2007

A economia global continua em rota para contínuo crescimento robusto em 2007 e 2008, embora em ritmo mais moderado do que em 2006, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI). No relatório Perspectivas Econômicas Globais para 2007, divulgado nesta quarta-feira, 11, o Fundo projeta que o crescimento global será de 4,9% neste ano, ante 5,4% em 2006. Em meio à grande discussão sobre o crescimento na produção mundial de biocombustíveis, o Fundo prevê que a crescente demanda por esse tipo de energia deverá causar maior avanço dos preços do milho e do óleo de soja e fazer com que estes se movam mais próximos dos preços do petróleo, como tem sido os do açúcar. O Fundo observa que a adoção do etanol a partir da cana-de-açúcar no Brasil tem conduzido a fortes movimentos conjuntos do açúcar, etanol e preços do petróleo. "A exceção foi a queda dos preços do açúcar em meados de 2006, refletindo combinação de abundante produção de açúcar do Brasil e proteção de importação do etanol norte-americano." Propostas recentes de aumentar a produção de biocombustível nos EUA e Europa devem colocar pressão adicional sobre o trigo, milho e óleos comestíveis. "Planos de dobrar o consumo obrigatório de biocombustível nos EUA até 2017 iriam exigir 30% de aumento na produção de milho, ou correspondente redução nas exportações, ao longo dos próximos cinco anos para aumento da capacidade de etanol." Crescimento "Os riscos à perspectiva parecem menos ameaçadores do que no período da Perspectiva Econômica Global em setembro de 2006, à medida que o preço do petróleo declina e condições benignas financeiras globais têm ajudado a limitar contágio da correção no mercado imobiliário nos EUA e a conter as pressões inflacionárias. O crescimento no globo parece bem sustentado e os riscos de inflação têm se moderado." A equipe do FMI vê cerca de uma em cinco a probabilidade de o crescimento ficar abaixo de 4% em 2008. "Com a moderação da inflação nas economias avançadas, aumenta a probabilidade de que os bancos centrais tenham de elevar o juro mais do que o antecipado pelos mercados", estima o FMI. No entanto, no front da economia global, a questão central, reconhece o Fundo, é se a economia global conseguirá se descolar dos EUA. O arrefecimento no país parece ter impacto limitado, concentrando-se no setor residencial. "Mas uma desaceleração maior pode ser desafiadora. Haveria ainda contágio relevante na Ásia emergente, particularmente, se o crescimento na China também desacelerar de forma mais abrupta." O FMI prevê crescimento da zona do euro (13 países que compartilham o euro como unidade monetária) em 2,3% tanto em 2007 quanto em 2008. Para o Japão, a estimativa é de 2,3% neste ano e 1,9% em 2008. Para as projeções neste relatório, o Fundo estimou o preço do barril do petróleo em US$ 60,75 em 2007 e US$ 64,75 em 2008. Para a projeção feita em 2006, o preço estimado era de US$ 64,25 por barril. Para o Fundo, a commodity deverá continuar volátil e sensível às ocorrências geopolíticas. Os riscos de preços permanecem inclinados para cima, em virtude das questões geopolíticas e capacidade ociosa limitada. EUA Entre as principais economias avançadas, a desaceleração no crescimento em 2007 deve ser mais pronunciada nos EUA, prevê o FMI. No relatório Perspectiva Econômica Global, o Fundo prevê que os EUA irão crescer 2,2% neste ano, abaixo dos 3,3% registrados em 2006. "O setor imobilIário permanece um peso substancial sobre o crescimento", adverte o FMI. Mas, ao longo do ano, a economia do país pode ganhar fôlego à medida que o peso do setor de imóveis tiver moderação. Para 2008, o Fundo projeta crescimento de 2,8%. De qualquer forma, o FMI reconhece que a questão central é se a deterioração de imóveis é temporária ou prolongada. Os efeitos das perdas do setor de imóveis podem ser amplificados se o aperto no padrão de financiamentos no setor subprime (de maior risco) conduzir a uma ampla reavaliação da disponibilidade de crédito na economia. Uma ocorrência assim poderia "implicar uma desaceleração mais profunda ou mesmo uma recessão nos EUA, com potencial de contágio em outros países". Câmbio A redução no valor efetivo do dólar e algum aumento na flutuação de moedas de países com superávit de conta corrente na Ásia são ocorrências relevantes para reduzir os desequilíbrios globais, afirma o FMI. O movimento de queda do dólar tem sido frente ao euro e à lira, enquanto as moedas dos principais países com superávit, China, Japão e exportadores de petróleo do Oriente Médio, tendem a ter depreciação em termos reais efetivos, acrescenta o relatório de Perspectiva Econômica Global. "Movimentos no câmbio poderiam potencialmente desempenhar um papel importante para o ajuste dos desequilíbrios globais", afirma o FMI. No entanto, projeções baseadas nas taxas atuais de câmbio sugerem que os desequilíbrios globais deverão permanecer amplos no futuro previsível. Doha A recente renovação das negociações para a Rodada Doha é muito bem-vinda, diz o FMI. O Fundo pondera que uma conclusão bem-sucedida da rodada poderia fornecer ganhos significativos, particularmente no setor agrícola. O FMI adverte para "o sério risco de que as forças protecionistas poderiam avançar nos próximos anos, revertendo ganhos de uma economia crescentemente integrada". O protecionismo poderia minar o comércio e o investimento externo, completa. Um resultado ambicioso da Rodada Doha de liberalização do comércio forneceria um estímulo importante para os prospectos "econômicos" no médio prazo e reduziria riscos de protecionismo, diz o documento. Matéria alterada às 12h54 para acréscimo de informações

Agencia Estado,

11 Abril 2007 | 12h01

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