FMI propõe indexação de combustível

O primeiro vice-diretor-gerente do FMI, Stanley Fischer, recomendou que o ideal seria que os países da América Latina seguissem um modelo de reajuste automático dos preços dos derivados dos combustíveis de acordo com a oscilação do mercado internacional. Ele alertou que o países que controlam os preços dos combustíveis, como é o caso do Brasil, poderão ter problemas nas suas contas, caso continuem fazendo essa administração de preços. "O controle do governo sobre os preços da energia em diversos países significa que preços mais altos do petróleo se traduzem em um problema fiscal com o qual é politicamente difícil de lidar", disse Fischer numa palestra para 400 economistas brasileiros e estrangeiros.Mas essa mudança, acrescentou, só deve ser feita em época de estabilidade e não em um período de alta do petróleo no mercado internacional, como está ocorrendo. "Esse não é o momento para os países da América Latina fazerem a alteração", disse.Governo confirma que não é hora para aumento dos combustíveisO ministro da Fazenda, Pedro Malan, comentou a recomendação feita por Fischer, dizendo que a sugestão já foi feita anteriormente e que vários países adotam o sistema de reajustes automáticos. Segundo Malan, o governo vem estudando a possibilidade de conceder reajustes automáticos dos combustíveis, de acordo com a oscilação do mercado internacional. O ministro da Fazenda garantiu, no entanto, que o governo não estuda essa mudança para agora.A assessoria de imprensa do presidente Fernando Henrique Cardoso informou que a posição do Planalto continua a mesma e que nada mudou depois das sugestões do diretor-gerente FMI. Ou seja, por agora não haverá aumento no preço da gasolina e demais derivados.Lucro da Petrobras está compensando o déficit da PPEQuanto ao impacto fiscal da administração de preços dos combustíveis, como advertiu o diretor do FMI, o ministro da Fazenda disse que há impacto negativo na conta petróleo (conhecida como PPE, que recebe a difernça entre os preços internos e externos do petróleo). Porém, esse saldo negativo está sendo compensado pelos bons resultados da Petrobrás, porque a estatal vende seus produtos com preços atrelados aos do mercado internacional. "Nossos resultados fiscais levam em conta não só as contas da União, Estados e municípios mas também das estatais federais e nosso compromisso é com o resultado consolidado", lembrou Malan.

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