Alkis Konstantinidis|Reuters-8|05|2016
Alkis Konstantinidis|Reuters-8|05|2016

FMI propõe moratória de 25 anos para Grécia

Proposta prevê ainda que o pagamento da dívida seja feito em outros 40 anos; Alemanha é contra acordo

Andrei Netto, correspondente, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2016 | 23h57

PARIS - Representantes do governo da Grécia e de credores internacionais entraram ontem naquela que pode ser a fase final das negociações sobre a dívida externa de Atenas, que chegará a 182% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2016. As reuniões foram retomadas no Eurogrupo, fórum de ministros de Finanças da zona do euro, com o objetivo de chegar a um acordo nos próximos cinco dias para a redução do peso da dívida do país. A proposta do Fundo Monetário Internacional (FMI) é de uma moratória de 25 anos e o pagamento em outros 40 anos.

As negociações foram retomadas ontem em Bruxelas e Atenas. Uma reunião entre os ministros de Finanças, Euclid Tsakalotos, e o ministro de Economia, Giorgos Stathakis, com deputados da Syriza, principal partido da base de sustentação do governo de Alexis Tsipras, foi realizada na capital grega para informar do andamento das conversas. Isso porque os credores internacionais – União Europeia, Banco Central Europeu (BCE) e FMI – “sugerem” a adoção de reformas opcionais como garantia de que os objetivos orçamentários de Atenas serão respeitados no longo prazo.

 

A nova onda de medidas estaria concentrada no aumento de impostos que representaria mais € 1,8 bilhão para os cofres públicos.

De acordo com os cálculos do FMI, Atenas não conseguirá honrar suas obrigações no longo prazo, avaliadas em € 320 bilhões, mesmo tendo recebido três empréstimos da comunidade internacional desde 2010. Isso porque o governo de Tsipras não terá capacidade de manter um excedente primário nas contas públicas – fora o serviço da dívida – de 3,5% do PIB. O Fundo gerenciado por Christine Lagarde propõe redução para 1,5% do PIB, com recuo proporcional do peso da dívida. Segundo The Wall Street Journal, a proposta prevê uma moratória da dívida até 2040 e seu reescalonamento em 40 anos, até 2080.

Essa proposta responde ao governo da Alemanha, cujo ministro de Finanças, Wolfgang Schaeuble, é contrário ao corte puro e simples de parte da dívida, como Lagarde defendia até aqui. O governo de Angela Merkel está dividido sobre os termos do FMI. Schaeuble, artífice da política de austeridade fiscal na União Europeia, afirmou ao jornal Suddeutsche Zeitung que não haverá nenhuma moratória “enquanto for ministro de Finanças”. Mas o social-democrata Sigmar Gabriel, número 2 do governo de Merkel e ministro da Economia, vem pregando o fim do drama grego. “Algo precisa ser feito para reduzir o peso da dívida.”.

A nova série de reuniões sobre a dívida pode resultar em um acordo no dia 24, quando os ministros do Eurogrupo voltarão a se encontrar em Bruxelas. De acordo com Louis Harreau, economista do banco Crédit Agricole, caso a Alemanha vete a proposta do FMI, há chances de que o Fundo anuncie seu afastamento do grupo de credores internacionais.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.