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FMI quer eleições presidenciais antecipadas na Argentina

Convocação de eleições presidenciais antecipadas. Esta seria a mais nova exigência do FMI com o governo do presidente Eduardo Duhalde, como condição para assinar o acordo financeiro com a Argentina. Originalmente, as eleições presidenciais estão previstas para setembro do ano que vem, com a posse presidencial em dezembro. Mas, o FMI, insatisfeito com a gestão Duhalde - que padece da maior falta de apoio político da história dos últimos cem anos na Argentina - preferiria poder contar com um novo presidente. O governo nega as pressões e afirma que uma exigência desse tipo seria inaceitável.Duhalde seria o homem que assinaria o acordo com o Fundo, mas não o mesmo que teria que aplicar a maior parte do novo programa financeiro. Especula-se em Buenos Aires que o governo definiria uma posição sobre as eleições antecipadas no início de julho, ou seja, entre a assinatura da nova carta de intenções e a aprovação do acordo por parte da diretoria do FMI.A partir de outubro os diversos partidos políticos começariam as convenções internas para definir os candidatos presidenciais e depois começar a campanha eleitoral. Desta forma as eleições seriam realizadas em algum período entre janeiro e fevereiro do ano que vem.O governo insiste em que não está sendo pressionado para a realização das eleições antes do previsto. Além disso, afirma que o FMI não apresentou novas exigências.Os desmentidos foram feitos pelo porta-voz de Duhalde, Eduardo Amadeo, que disse que os boatos são "fantasias e bobagens". Amadeo disse que uma exigência desse gênero seria "inaceitável". O porta-voz sustentou a missão do Fundo "é absolutamente técnica" e que não foi fazer exigências na área política. "Duhalde está absolutamente disposto a continuar até o fim", sustentou.Mas apesar dos desmentidos, os boatos sobre as pressões para realizar eleições antecipadamente aumentaram mais ainda depois que o embaixador dos Estados Unidos, James Walsh, visitou o presidente. Extraoficialmente comenta-se que a reunião foi para analisar a saída antes do previsto do governo Duhalde como elemento de troca para a obtenção de um acordo com o Fundo.Além disso, o apoio norte-americano para conseguir um acordo com o Fundo permitirá que Duhalde possa fazer uma transição "ordenada" para o sucessor. Além disso, existem mais sinais de que os primeiros passos para a antecipação das eleições já estão sendo dados.Um dos sinais é da Câmara de Deputados, que formou uma comissão para estabelecer as regras das convenções internas dos partidos. O partido do governo, o Justicialista (Peronista), já começou a mobilizar-se para definir uma data para a convenção, que promete ser a mais feroz de todas.Além dos presidenciáveis tradicionais do peronismo - governadores das províncias - começam a aparecer novos perfis, como o caso do filho do empresário Franco Macri, o também empresário Maurício Macri. O empresário reuniu-se com Duhalde na Casa Rosada e deu a entender que gostaria de ser candidato pelo partido de Duhalde. Macri, que também é o presidente do time de futebol Boca Juniors, não está filiado a partido político, mas desde o ano passado conta com a Fundação "Acreditar e Crescer", que na verdade é um centro de estudos para elaborar as bases da candidatura política.Cauteloso, o governador da província de Santa Fe, Carlos Reutemann, um dos principais presidenciáveis do peronismo, afirmou que antes de falar sobre o adiantamento de eleições, "é preferível ver se a situação melhora".Enquanto isso, o governo tenta apressar as províncias para que assinem os acordos individuais de ajuste de 60% dos déficits fiscais, uma das principais exigências do FMI com a Argentina. O ajuste foi prometido em março pelos governadores, mas até agora a maioria das províncias não assinou o acordo definitivo.Hoje, a província patagônica de Chubut, assinou o acordo. Uma semana antes de Chubut, o acordo havia sido assinado pela província de Buenos Aires, responsável por 51% do déficit total provincial.Hoje, pela primeira vez, o governo admitiu oficialmente que o presidente do Banco Central, Mario Blejer, está com os dias contados no cargo. Blejer, que há várias semanas enfrenta duros confrontos com o ministro da Economia, Roberto Lavagna, permaneceria no posto até que o governo conseguisse fechar um acordo com o FMI. O anúncio foi feito pelo porta-voz do presidente, ao dizer que Blejer "mantém sua decisão de deixar o cargo" e que isso ocorreria após o acordo com o Fundo.Blejer foi, durante 20 anos, funcionário do FMI, até que no ano passado voltou à Argentina. Segundo Amadeo, Blejer "é uma pessoa que possui boa relação com o FMI, é confiável, e sua presença ajuda esta discussão tão árdua que temos com o Fundo". Um dos motivos para que o presidente Duhalde tente manter Blejer no posto por mais algumas semanas é para evitar que a saída da presidência do BC cause turbulências nos mercados, mais ainda, nos delicados momentos pelos quais o país está passando.Além dos confrontos com o ministério da Economia, o BC sofre uma drenagem constante de reservas internacionais para poder deter a alta do dólar. Hoje, pela primeira vez em onze anos, as reservas no Banco Central caíram para menos de US$ 10 bilhões, considerado um "limite psicológico".Segundo o BC, as reservas caíram nesta sexta-feira para o nível de US$ 9,974 bilhões. Os motivos da queda de quinta para sexta-feira foram a perda de US$ 19,5 milhões, utilizados no mercado cambial. Hoje, o dólar voltou a subir. Nos bancos, a cotação foi de 3 56 pesos (aumento de 1,42%), enquanto que nas casas de câmbio terminou a jornada em 3,61 pesos (aumento de 0,84%).

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