FMI recomenda à Irlanda adiar medidas de rigor

O Fundo Monetário Internacional (FMI) recomendou ontem ao governo da Irlanda que adie novas medidas de austeridade para não prejudicar ainda mais o crescimento econômico. A recomendação contraria a política de rigor fiscal defendida na Europa pela chanceler da Alemanha, Angela Merkel, como condição para o socorro internacional do país. O Fundo pede ainda que os credores internacionais concedam dois anos a mais a Dublin para equilibrar suas contas como forma de afastar o risco de default de pagamentos.

PARIS, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2012 | 02h09

A orientação também se choca com as exigências da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu (BCE), parceiros do FMI na "troica", o órgão informal que defende cortes orçamentários nos países em crise, como Grécia e Portugal. "Se no próximo ano o crescimento for desapontador, qualquer medida fiscal de consolidação a mais deve ser adiada para 2015 para proteger o crescimento", disse em Washington o diretor-gerente adjunto do FMI, David Lipton.

A justificativa para a recomendação se encontra no relatório publicado pelo Conselho de Administração do FMI, que reúne os 188 membros da instituição.

Até aqui, a Irlanda vinha sendo apontada pela União Europeia e pelos investidores privados como o "bom aluno" entre os países socorridos por empréstimos de Bruxelas e do FMI. No outro lado, estavam Grécia e Portugal, apontados como "maus alunos". Ontem, parte da realidade econômica de Dublin foi exposta pelos técnicos do Fundo em Washington. Segundo a instituição, o país enfrentará um crescimento aquém do previsto, de 1,1% em 2013 e 2,2% em 2014, assim como "risco importante" de que o sistema financeiro enfrente "baixa capacidade" de empréstimos à economia real. O alto nível de desemprego, que chega a 15%, é outro sinal da crise, de acordo com Lipton.

Além de analisar as finanças públicas da Irlanda, o FMI se reuniu para desembolsar € 890 milhões ao país. A parcela é parte do plano de resgate concedido a Dublin em novembro de 2010 - € 23,5 bilhões só em dinheiro do Fundo. Com a nova parcela, a nona do empréstimo, o governo irlandês já recebeu € 19,1 bilhões do Fundo. / A.N.

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