FMI recomenda que Brasil suba juros para conter inflação

Documento que sugere novos apertos foi apresentado na última reunião ministerial do G-20

Altamiro Silva Júnior, da Agência Estado,

29 de julho de 2013 | 16h59

NOVA YORK - O Brasil ainda pode ter de aumentar mais os juros para lidar com a inflação elevada, avalia o Fundo Monetário Internacional (FMI). O país continua enfrentando um desafio considerável para conter a alta de preços, que vem superando o topo da meta do Banco Central (BC) e requer novo aperto monetário.

A recomendação faz parte de um documento do FMI apresentado na última reunião ministerial do G-20, o grupo dos países mais ricos do mundo, em Moscou na semana passada.

O documento tem o título "Perspectivas globais e desafios de política" e destaca que a recuperação da atividade econômica global vem desapontando e o ritmo de crescimento será menor que o esperado, sobretudo por causa da zona do euro, que segue em recessão, e da expansão mais fraca dos países emergentes.

Para os emergente, a avaliação do documento do FMI é que eles vão navegar em "águas mais turbulentas" e os governos precisam ficar atentos a um cenário de maior volatilidade, sobretudo por conta da possibilidade de mudança da política monetária dos Estados Unidos.

Sobre o Brasil, o documento fala que o crescimento econômico continua a desapontar, embora pontue que "finalmente" o investimento dá sinais de expansão. O Fundo prevê expansão de 2,5% para a economia brasileira, número inferior à estimativa feita em abril, quando se previa crescimento de 3%.

Nos países desenvolvidos, EUA e Japão devem ser destaques em recuperação. O Fundo volta a falar que as políticas monetárias devem continuar sendo acomodatícias para estimular as economias. Nos EUA, o mercado de trabalho, apesar da melhora recente, segue fraco e os estímulos monetários seguem sendo necessários. Na europa, em recessão, os estímulos monetários são mais que necessários.

O FMI enfatiza que o ritmo dos ajustes fiscais deve ser cuidadosamente calibrado para evitar comprometer a recuperação das economias e o crescimento, postura diferente do passado, quando a instituição dava peso maior ao ajuste fiscal em detrimento da atividade econômica. Os desequilíbrios fiscais, diz o documento, são mais acentuados neste momento nos países desenvolvidos, como na europa.

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