FMI reconhece que fracassou na Argentina

O diretor-gerente do FMI, Horst Köhler, afirmou que a crise enfrentada pela Argentina é um fracasso do Fundo e de toda a comunidade financeira internacional. "Nós não prestamos atenção suficiente quando as políticas de Menem ficaram à deriva, no fim dos anos 90", disse Köhler em entrevista ao jornal francês Le Monde. "Dito isso, nós compartilhamos esse fracasso com toda a comunidade internacional".Para o diretor-gerente do FMI, a instituição deveria ter ficado mais atenta "à solidez das instituições argentinas e aos valores sociais. Nós pensamos que a ameaça de colapso provocaria uma reação, mas isso não aconteceu".Para ele, o erro do FMI ?foi não dizer com frequência, ou suficientemente alto, no fim dos anos 90, que a desintegração das instituições argentinas teria um custo alto. Nós não prestamos atenção suficiente aos lapsos da política de Menem". Ele lembrou que, embora o FMI tenha advertido a Argentina sobre a necessidade de políticas fiscais "virtuosas", para que a conversibilidade peso/dólar funcionasse, "obviamente, esses alertas não foram suficientemente fortes".Köhler também disse que há um risco de a Argentina ficar marginalizada por causa do colapso da economia, ressaltando esperar que isso não venha a acontecer. Para o diretor-gerente do FMI, não importa o que aconteça na Argentina, o resultado será doloroso para os cidadãos do país."Um retorno ao crescimento não poderá ser pela via do populismo e será doloroso. O presidente Duhalde está ciente desses problemas e nós precisamos dar a ele o benefício da dúvida. Não há saída indolor", disse.Para o diretor-gerente do FMI, o sistema de subsídios agrícolas da União Européia é parcialmente culpado pelas dificuldades econômicas enfrentadas pela Argentina. Köhler disse que, embora os problemas da Argentina tenham sido agravados pela desaceleração da economia global e pela força do dólar, "os europeus, ao manterem seu anacrônico sistema de proteção à agricultura, não estão acima das críticas".

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