FMI reduz estimativa para crescimento global, vê recuperação instável

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu nesta terça-feira as projeções para o crescimento da economia global neste ano e no próximo para levar em consideração os fortes cortes de gastos governamentais nos Estados Unidos e as mais recentes dificuldades da Europa.

LESLEY WROUGHTON, Reuters

16 de abril de 2013 | 11h38

Embora tenha dito que as perspectivas econômicas melhoraram nos últimos meses com uma redução dos riscos financeiros, o FMI alertou a Europa contra o relaxamento dos esforços para combater sua crise de dívida dado o caótico resgate no Chipre e o impasse político na Itália.

O FMI também revisou para cima sua estimativa para o Japão, comemorando o novo e agressivo estímulo monetário do banco central do país, que na sua opinião vai impulsionar o crescimento e ajudar a superar a deflação.

"As perspectivas econômicas globais melhoraram de novo, mas o caminho para a recuperação nas economias avançadas continuará acidentado", disse o FMI em seu periódico Perspectiva Econômica Mundial divulgado antes de reuniões nesta semana de líderes financeiros globais.

O FMI reduziu sua estimativa para o crescimento global em 2013 para 3,3 por cento, ante projeção em janeiro de 3,5 por cento. Também reduziu a previsão em 2014 para 4,0 por cento, ante 4,1 por cento.

Um cenário mais pessimista para os Estados Unidos e para a zona do euro levaram o Fundo a reduzir sua estimativa para economias avançadas para 1,2 por cento em 2013 enquanto manteve a estimativa para 2014 em 2,2 por cento.

Embora tenha reduzido suas projeções para o crescimento em economias emergentes para 5,3 por cento neste ano, também disse que o crescimento já está acelerando e atingirá 5,7 por cento em 2014.

O crescimento retornou a um ritmo saudável na China e a atividade deve se recuperar no Brasil no próximo ano, disse o FMI. Este ano, disse o FMI, o Brasil deve crescer 3,0 por cento, menos que os 3,5 por cento previstos em janeiro. Para 2014, a projeção é de 4,0 por cento, ante 3,9 por cento no início do ano.

"Apesar de perigos antigos e novas turbulências, o cenário de risco a curto prazo melhorou uma vez que recentes ações de política na Europa e nos Estados Unidos lidaram com alguns dos mais graves riscos no curto prazo", disse o FMI.

BC DO JAPÃO ESTÁ NO CAMINHO MAS PRECISA DE AJUDA

O FMI comemorou a reforma radical da política monetária que o banco central do Japão anunciou neste mês para acabar com duas décadas de deflação.

O Fundo também disse que a inflação no Japão deve subir acima de zero em 2013 e temporariamente saltar em 2014 e 2015 em resposta a um aumento no imposto ao consumidor.

O BC do Japão anunciou um intenso estímulo monetário neste mês, prometendo injetar cerca de 1,4 trilhão de dólares na economia em menos de dois anos, uma importante mudança em relação a suas medidas anteriores.

"Para que tenha sucesso e alcance uma inflação de 2 por cento dentro de dois anos, o afrouxamento tem que ser acompanhado de crescimento ambicioso e reformas fiscais para garantir uma recuperação sustentável e reduzir riscos financeiros", disse o FMI, também alertando o Japão que seu peso de dívida pública é insustentável.

ZONA DO EURO E EUA

O FMI disse ainda que a Europa e os Estados Unidos evitaram problemas ao adotar políticas que dissiparam a noção de uma ruptura da zona do euro e a possibilidade de a maior economia do mundo despencar em um "abismo fiscal" de aumentos tributários e cortes orçamentários.

Entretanto, sugeriu que uma política monetária mais frouxa pode ser necessária na zona do euro.

"Dada a moderação da pressão inflacionária, a política monetária deveria permanecer bastante acomodativa. Ainda há espaço para mais afrouxamento convencional, uma vez que a projeção é de que a inflação desacelere para abaixo da meta do Banco Central Europeu no médio prazo", disse.

O FMI deixou claro ainda que, embora um resultado pior tenha sido evitado, a política fiscal nos Estados Unidos foi apertada mais do que esperava --um motivo para a redução de sua estimativa.

O Fundo disse ainda que os cortes de gastos conhecidos como "sequestro" cortarão cerca de 0,3 ponto percentual do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. Se o sequestro continuar até o próximo ano fiscal, vai reduzir mais 0,2 ponto percentual do crescimento do PIB, completou.

Em relação à política monetária norte-americana, o FMI afirmou esperar que o Federal Reserve, banco central dos EUA, mantenha a taxa de juros perto de zero até o início de 2016, embora tenha alertado que o Fed pode precisar apertar a política mais cedo.

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