CHRIS J RATCLIFFE/AFP
CHRIS J RATCLIFFE/AFP

FMI reduz novamente projeção de expansão do PIB mundial como reflexo do Brexit

Na pior perspectiva do Fundo, o crescimento do PIB mundial poderia ficar na casa dos 2,8% este ano e no próximo

Altamiro Silva Junior, correspondente, O Estado de S.Paulo

19 Julho 2016 | 10h57

NOVA YORK - O Fundo Monetário Internacional (FMI) voltou a reduzir a projeção de crescimento da economia mundial. Em relatório de atualização de estimativas divulgado nesta terça-feira, a previsão é de expansão de 3,1% este ano e 3,4% no próximo, nos dois casos 0,1 ponto porcentual abaixo do previsto em abril, quando o Fundo fez sua reunião de primavera em Washington.

A decisão do Reino Unido de sair da União Europeia, o Brexit, foi uma das principais causas da revisão para baixo, de acordo com o relatório. Antes do plebiscito, que aconteceu dia 23 de junho, o FMI argumenta que a economia mundial estava evoluindo basicamente em linha com o esperado no relatório de abril e a melhora da situação no Brasil e na Rússia apontava para aumento das projeções do PIB global em 0,1 ponto porcentual para 2016 e 2017.

Mas com a inesperada decisão dos britânicos de deixar a UE, o quadro mudou. O economista-chefe do FMI, Maurice Obstfeld, ressalta que o Brexit aumentou a incerteza na economia mundial, que deve ter reflexo nos índices de confiança dos agentes, além de reflexos no mercado financeiro. "Com muito do Brexit ainda se desenvolvendo, o aumento da incerteza complica a já difícil tarefa de fazer previsões macroeconômicas."

Brexit. Com o aumento da incerteza gerado pelo Brexit, o FMI traçou dois cenários alternativos para a economia mundial, um em que a saída do Reino Unido da UE provoca efeitos negativos moderados e outro mais danoso, com forte queda dos índices de confiança e condições muito mais duras no mercado financeiro para captação de recursos. Neste caso, a piora da economia da Inglaterra e da Europa seria muito mais severa que o traçado na atualização divulgada hoje.

Na pior perspectiva, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) mundial poderia ficar na casa dos 2,8% este ano e no próximo, abaixo dos 3,1% e 3,4% estimados pelo Fundo para 2016 e 2017, respectivamente.

"O Brexit adiciona uma pressão para baixo à economia mundial em um momento que o crescimento tem sido lento em meio a vários riscos que ainda permanecem", afirmou o economista-chefe do FMI, Maurice Obstfeld. No caso dos emergentes, o cenário-base é de expansão de 4,1% este ano e 4,6% em 2017. No pior cenário com o Brexit, a expansão cairia para 3,9% em 2016 e 4,2% no ano que vem.

Desenvolvidos. O Brexit levou o FMI a cortar as projeções principalmente para os países desenvolvidos. A previsão é que esse grupo deve crescer 1,8% este ano, 0,1 ponto a menos do que o esperado em abril. Para 2017, a previsão também é de expansão de 1,8%, corte de 0,2 ponto ante previsão anterior. O Reino Unido foi o que teve maior redução nas estimativas e deve crescer 1,7% em 2016, abaixo dos 2% previstos em abril. Em 2017, a previsão é de alta de 1,3% no PIB, 0,9 ponto abaixo da estimativa anterior.

Já a zona do euro deve ter avanço de 1,6% este ano, aumento de 0,1 ponto na comparação com a estimativa de abril. Em 2017, porém, a previsão foi cortada, de expansão de 1,6% estimada no relatório anterior para 1,4% agora. Não fosse o Brexit, as previsões para o PIB da região seriam revisadas para cima em 2016, bem como as do ano que vem, ressalta o relatório.

Para os EUA o FMI já havia divulgado as projeções atualizadas em junho e prevê expansão de 2,2% este ano e 2,5% em 2017. A estimativa para este ano do PIB norte-americano teve corte de 0,2 ponto em relação ao previsto em abril. A previsão do FMI é de que não haja maior impacto do Brexit na maior economia do mundo, na medida em que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) deve ser ainda mais gradual e cauteloso para subir os juros, o que ajuda a ofuscar o fortalecimento do dólar, a queda na confiança e o aumento das taxas (spreads) para captação das empresas.

Emergentes. Houve alguma melhora nas projeções para o Brasil e a Rússia, dois países em recessão. Na economia russa, o aumento do petróleo que saiu da casa dos US$ 30 no começo do ano para os US$ 50 será um fator para ajudar na recuperação mais rápida do país, que em 2017 deve voltar a crescer, assim como o Brasil.

Na China, a previsão para 2016 foi revisada para cima de 6,5% previstos em abril para 6,6% agora. A de 2017 foi mantida em crescimento de 6,2%. "Na China, o cenário de curto prazo melhorou por conta do apoio da política econômica", afirma o documento.

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