FMI reduz otimismo na reestruturação da dívida argentina

Nesta quarta-feira, poucas horas antes que o ministro da Economia, Roberto Lavagna, realizasse o anúncio formal do lançamento do processo de reestruturação da dívida pública com os credores privados na Argentina, o diretor executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI), Pier Carlo Padoan, afirmou que se a Argentina não conseguir uma adesão de pelo menos 75% dos credores, o problema do default (calote) continuará sem resolver.Sem esse piso mínimo de adesão, o FMI não "descongelaria" as relações com a Argentina, que estão no freezer desde meados do ano passado. Desta forma, complicaria a renovação dos acordos entre o governo Kirchner e o organismo financeiro. Uma baixa adesão proporcionaria mais poder ao FMI para exigir drástica reformas econômicas a Kirchner."Embora não exista um número mágico, deveria ficar claro que se a proporção de participação dos credores for inferior a três quartos do total de donos de títulos, não vai dar para dizer que o problema da dívida foi resolvido. Ficaria difícil dizer que a Argentina voltou a ser financeiramente sustentável", disparou Padoan em entrevista ao jornal italiano "Il Sole 24 Ore".Com este alerta, o FMI azedou o clima de otimismo antecipado que predominava nos corredores da Casa Rosada, o palácio presidencial, e seu vizinho Ministério da Economia, em relação à operação de reestruturação da dívida.Diversos analistas na city financeira portenha afirmavam que o governo poderia conseguir entre 60% a 65% de adesão dos credores, proporção abaixo do requerido pelo Fundo. Neste caso, especula-se que o governo poderá ampliar o período de troca de títulos mais além do dia 25 de fevereiro, data prevista para seu encerramento, de forma a ter mais tempo para seduzir os credores mais reticentes.FadigaPara o ex-diretor de Hemisfério Ocidental do FMI, Claudio Loser, o processo de troca de títulos terá um ritmo "lento". Segundo ele, nos primeiros dias da reestruturação "não vai acontecer coisa alguma", já que os Fundos de Pensões entrarão no processo imediatamente, enquanto que o resto dos credores ficará a espreita, aguardando ver o que acontece. Loser considera que o governo Kirchner não se deve preocupar nas primeiras semanas - quando poderão surgir alguns "sobressaltos" - pois só em fevereiro começaria a adesão em grande escala. O economista sustenta que "os credores estão cansados de tantas idas e voltas...eles querem ter papéis assegurados". Rolf Koch, representante de um grupo de credores alemães, afirmou que acredita que a maioria dos credores aceitará a oferta argentina, já que esta é "demasiado complexa para lutar contra ela".

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