FMI reduz previsão para crescimento dos EUA em 2014

Fundo diz que recuperação econômica está sendo moderada e que revisão leva em conta que os efeitos dos cortes automáticos de gastos públicos

Altamiro Silva Júnior, correspondente da Agência Estado,

14 de junho de 2013 | 13h44

NOVA YORK - A recuperação econômica dos Estados Unidos está sendo moderada e os fundamentos do país estão tendo melhora gradual, avalia o Fundo Monetário Internacional (FMI). A previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2013 foi mantida em 1,9%, número que havia sido divulgado em abril na reunião de primavera do Fundo. Em 2014, a expectativa é de crescimento foi reduzida de 3% para 2,7%.

A diretora gerente do FMI, Christine Lagarde, frisou que a menor projeção leva em conta que os efeitos dos cortes de automáticos de gastos públicos devem se estender para 2014. "Os efeitos (dos cortes) não vão aumentar, mas vão continuar." Inicialmente, os economistas do Fundo previam que as consequências dos cortes seriam concentradas em 2013.

Lagarde disse que há riscos externos que podem comprometer a recuperação dos EUA, como um maior estresse no mercado financeiro internacional. "Mas a maior fonte de riscos que vemos está no mercado norte-americano", afirmou.

O conselho para o lado fiscal é que o governo norte-americano reduza o ritmo de ajuste no curto prazo, mas apresse o de médio e longo prazo, colocando em prática um plano eficaz e amplo para reduzir as dívidas públicas e que contemple reformas. "Se medidas forem tomadas mais cedo, não serão tão dolorosas", disse Lagarde.

Entre os fatores que têm contribuído para a recuperação da economia norte-americana, o FMI cita a melhora do setor de construção civil, a alta dos preços dos imóveis e o avanço do mercado de trabalho. O documento destaca ainda a melhora das corporações e de seus balanços e dos níveis de endividamento das famílias.

O crescimento econômico dos EUA de 1,9% previsto para este ano tem alguns condicionantes, de acordo com o relatório. Os técnicos do FMI alertam que levaram em conta ao calcular a projeção que o Fed vai manter compras de ativos de "larga escala" pelo menos até o final do ano e Washington vai chegar a um acordo político para elevar o teto da dívida pública. O corte automático de gastos públicos deve gerar uma redução do déficit dos EUA, subtraindo algo entre 1,25 e 1,75 ponto porcentual do crescimento do PIB este ano.

A projeção é de que a taxa de desemprego, que fechou maio em 7,6%, fique ao redor de 7,5% em 2013, para cair para 7,2% no ano que vem e 6,8% em 2015. O Fed sinalizou que um dos balizadores para mudar os juros do país, hoje próximos de zero, seria quando a taxa de desemprego caísse para níveis inferiores a 6,5%.

A perspectiva para a inflação é que ela fique controlada. Este ano, a projeção é de que o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) fique em 1,8%, mesma estimativa para 2014.

A situação fiscal dos EUA melhorou consideravelmente desde 2009, mas ajustes de médio prazo ainda precisam ser feitos. A redução da dívida este ano foi excessiva, por conta dos efeitos dos cortes automáticos de gastos públicos, destaca o FMI.

"Uma redução em menor ritmo do déficit ajudaria a recuperação econômica em um momento que a política monetária tem espaço limitado para estimular (a recuperação) mais além.", destaca o relatório. Em 2009, o déficit do governo representava 13% do PIB e a estimativa é de que termine este ano em 5,9%.

Tudo o que sabemos sobre:
euaeconomia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.