Rodrigo Abd/AP
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FMI reduz projeção para o PIB dos EUA de 2,4% para 2,2% em 2016 e mantém o de 2017

Instituição avalia que indicadores mostram que a atividade está ganhando força no 2º trimestre; recomendação é que o processo de elevação dos juros ocorra de forma 'muito gradual'

Altamiro Silva Junior, correspondente, O Estado de S.Paulo

22 Junho 2016 | 10h48

NOVA YORK - O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu a projeção de crescimento dos Estados Unidos em 2016 de 2,4%, estimados em abril, para 2,2%, mas manteve a estimativa para 2017 em 2,5%, de acordo com o relatório "Artigo IV" sobre a economia norte-americana divulgado nesta quarta-feira. A recomendação da instituição é que o processo de elevação dos juros no país ocorra de forma "muito gradual".

Apesar do fraco relatório de emprego de maio sugerir perda de fôlego da economia, o FMI avalia que outros indicadores mostram que a atividade norte-americana está ganhando força no segundo trimestre. "A economia dos EUA está, no geral, em boa forma", afirma o documento, destacando que este deve ser o sétimo ano consecutivo de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) após a recessão causada pela crise financeira mundial.

"As perspectivas de crescimento no curto prazo para os EUA são boas, apesar dos recentes reveses", afirma a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde. O documento destaca que 2,4 milhões de empregos foram criados no ano passado, a taxa de desemprego caiu para o nível historicamente baixo de 4,7% e a inflação está contida. Além disso, o Fundo menciona que a atividade dos EUA tem mostrado resistência em face da volatilidade no mercado financeiro e da demanda mundial fraca.

O FMI prevê que a inflação deve convergir para a meta do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) em 2017, quando deve chegar a 2,1%, considerando o núcleo do índice de preços dos gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês), a medida preferida do BC para a alta de preços. Este ano, o indicador deve ficar em 1,8%. A taxa de desemprego deve terminar 2016 em 4,9% e 2017 em 4,8%.

O documento do FMI alerta que o dólar valorizado e o petróleo barato são dois fatores de risco para a economia dos EUA. Eles já afetaram o desempenho da atividade nos últimos trimestre, ao reduzir fortemente os investimentos das empresas de petróleo e gás e, no caso da moeda cara, reduzir as exportações norte-americanas.

O baixo preço dos combustíveis, por causa da queda do barril do petróleo, tem tido efeito defasado no consumo, porque a taxa de poupança tem aumentado, ressalta o relatório. A desaceleração da economia mundial é outro fator de risco para os EUA, ressalta o documento.

No caso do Fed, a avaliação do FMI é que a política monetária é apropriada para o momento e a estratégia do BC deve permanecer dependente de indicadores econômicos. "Neste ponto do ciclo, há um claro caso para proceder com uma trajetória de elevação muito gradual para os juros", afirma o documento.

Longo prazo. O FMI avalia que a economia dos EUA tem "desafios significativos" para o longo prazo. A produtividade do país tem crescido pouco, a infraestrutura precisa de investimentos, a desigualdade na distribuição de renda vem aumentando e o número de pessoas pobres cresceu.

Por isso, a recomendação da instituição é que o governo norte-americano pense em políticas para lidar com essas questões ou as perspectivas de crescimento do PIB do país ficam comprometidas. 

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