FMI revisa para cima crescimento do Brasil

País deve crescer 4,9% e não 4,8%; previsão para EUA e para o mundo melhoraram

Da BBC Brasil, BBC

17 de julho de 2008 | 11h42

O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou ligeiramente para cima a previsão de crescimento econômico do Brasil, em relatório divulgado nesta quinta-feira, 17. Pelos cálculos do Fundo, a economia brasileira deve crescer 4,9% em 2008 - 0,1 ponto percentual a mais do que o estimado em abril deste ano. No próximo ano, as previsões são de que o Brasil cresça 4% - em abril, o FMI havia projetado um crescimento brasileiro de 3,7% para 2009.   Veja também: Entenda os efeitos da crise nos Estados Unidos Entenda a crise dos alimentos   Cronologia da crise financeira As grandes crises econômicas O FMI elogiou o Brasil na condução da política monetária. "O País tem feito muito bem, o Banco Central tem sido muito ativo, apertando ativamente (o juro) neste ano", disse o diretor-adjunto do Departamento de Pesquisa do FMI, Charles Collyns.   O diretor diz que o FMI está "encorajado" com os BCs da América Latina, mas avisa que os países, incluindo Brasil, precisarão continuar apertando o juro. No Brasil, como resultado da condução do BC, diz ele, as expectativas permanecem "bem ancoradas". Estão no teto da banda, mas ainda dentro dela, completa. Das projeções revistas pelo Fundo, o crescimento dos Estados Unidos foi a que sofreu maior correção entre os países industrializados. A economia americana deve crescer 2,2% - 0,8 ponto percentual a mais do que o projetado em abril. A projeção foi revista com base em dados da primeira metade do ano que só ficaram disponíveis em julho. O Fundo afirma que, apesar da previsão mais otimista para os Estados Unidos, "ainda assim projeta-se que a economia vai se contrair moderadamente" na segunda metade de 2008, já que o consumo será reduzido em decorrência do alto preço do petróleo e dos alimentos e por maiores restrições ao crédito. 'Posição difícil' O Fundo também projeta para a economia global um crescimento acima do previsto em abril. Pelos novos dados, a economia mundial crescerá 4,1% em 2008 e 3,9% no próximo ano - uma revisão para cima de 0,4 e de 0,1 ponto percentual, respectivamente. Apesar da visão levemente mais otimista em comparação com as projeções feitas em abril, o FMI ressalta que "a economia global está em uma posição difícil". Segundo o Fundo, os países avançados estão sofrendo com a queda no consumo, e os países emergentes lutam contra o aumento da inflação. "O crescimento global deve se desacelerar de forma significativa na segunda metade deste ano, antes de começar a se recuperar em 2009", diz o relatório World Economic Outlook. O Fundo revisou para cima o crescimento de todos os países dos BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) e de quase todos os países industrializados. Entre as principais economias mundiais, a russa foi a que sofreu a maior revisão: deve crescer 7,7% em 2008, e não mais 6,8%, nas previsões do FMI.   Emergentes   As economias emergentes e em desenvolvimento vão registrar uma desaceleração de seu crescimento para 6,9% em 2008 e para 6,7% em 2009, ante o ritmo de 8,0% registrado em 2007. "As economias emergentes e em desenvolvimento devem perder força", diz o Fundo.   A China deve crescer 9,7% em 2008, 9,8% em 2009, ante quase 12% em 2007. A Índia deve avançar 8,0% em 2008 e 2009, ante 9,3% em 2007. A Rússia deve crescer 7,7% em 2008 e 7,3% em 2009, ante 8,1% em 2007.   Assim, como ocorreu com as projeções para grande partes de outras economias, os números foram revisados alguns pontos porcentuais em alta em relação à divulgação feita em abril, em função de números mais fortes na primeira metade do ano em relação ao que o Fundo esperava naquela ocasião.   (com Nalu Fernandes, da Agência Estado)

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