FMI se diz comprometido a apoiar estabilização da zona do euro e combater crise

Reunidos em Washington, membross concordam em agir de forma coletiva para lidar com os perigos que rondam a economia global.

Alessandra Corrêa, BBC

24 de setembro de 2011 | 18h15

Depois de alertar que o mundo entrou em uma "zona de perigo" e corre o risco de mergulhar em uma nova recessão, o FMI (Fundo Monetário Internacional) disse neste sábado, ao final de sua reunião anual, em Washington, que seus membros estão comprometidos a apoiar os esforços para solucionar a crise na zona do euro e a combater os perigos que rondam a economia global.

"Hoje nós concordamos em agir decisivamente para combater os perigos que confrontam a economia global", diz o comunicado distribuído ao final da reunião do Comitê Monetário e Financeiro Internacional (IMFC, na sigla em inglês), órgão que tem o papel de assessorar do conselho de diretores do FMI e recomendar a adoção de políticas.

Os 187 países membros do FMI também se comprometeram a agir de forma coletiva, já que suas economias e sistemas financeiros estão intimamente interligados.

"Houve um diálogo e uma resposta clara dos membros", disse a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, ao ressaltar o espírito de união e diálogo durante as discussões.

Ao longo da semana, além da reunião anual do FMI e do Banco Mundial, ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais dos países do G20 (grupo das principais economias avançadas e em desenvolvimento, do qual o Brasil faz parte) e dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) também se reuniram na capital americana.

Ação política

A necessidade de ação conjunta e, principalmente, de rápida ação política vem sendo reforçada nas últimas semanas, em um momento em que a crise de dívida e déficit em alguns países europeus, como a Grécia, ameaça se espalhar, agravar a já alta falta de confiança do mercado e contaminar outras economias.

Uma das medidas consideradas cruciais é a aprovação, pelos países da União Europeia, de um acordo para flexibilizar o Fundo Europeu de Estabilização Financeira (EFSF, na sigla em inglês).

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, que participa dos encontros em Washington, já afirmou que é preciso rapidez na aprovação das medidas, para evitar um agravamento da crise. A expectativa é de que haja uma decisão nas próximas três semanas.

O comunicado diz que os países da zona do euro "farão o que for necessário" para solucionar a crise.

As reuniões em Washington foram realizadas em uma semana de grande tensão nos mercados, diante do agravamento da crise na Europa e da situação econômica nos Estados Unidos, onde persiste o baixo ritmo de crescimento e altas taxas de desemprego.

Revisão de recursos

Entre prioridades para o FMI, listadas no comunicado final, estão a "revisão da adequação" dos recursos disponíveis para combater a crise. Não há, porém, detalhes sobre um possível aumento dos fundos disponíveis.

O documento também cita a necessidade de buscar um sistema de vigilância mais integrado e eficaz, para identificar riscos à estabilidade econômica e financeira e avançar em medidas para gerenciar os fluxos de capitais.

O FMI também deverá fortalecer o aconselhamento e apoio financeiro a países de baixa renda, inclusive para fazer frente à volatilidade nos preços dos alimentos e dos combustíveis.

Assim como em reuniões anteriores, o FMI também voltou a afirmar que pretende avançar nas reformas na distribuição de cotas, exigência antiga dos emergentes, que buscam maior voz dentro da instituição.

Brasil

Ao final da reunião, o ministro da Fazenda disse que, no momento, o Brasil não precisa tomar medidas além daquelas já em ação.

"O Brasil não tem hoje de tomar nenhuma medida diretamente relacionada à crise, ao menos que haja algum agravamento", afirmou. "Estaremos atentos para ver se isso é necessário."

No entanto, Mantega antecipou seu retorno ao Brasil em um dia, após uma semana em que o mercado de câmbio viveu grande volatilidade, com um aumento brusco da cotação do dólar, que chegou a seu maior patamar em mais de um ano, ultrapassando a barreira de R$ 1,90 em alguns momentos.

Segundo o ministro, ele prefere estar no Brasil caso haja alguma "volatilidade maior" nos mercados. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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