FMI sobre debate do PIB brasileiro: "número não é tudo"

O diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do Fundo Monetário Internacional (FMI), Anoop Singh, afirmou neste sábado que o debate no Brasil sobre o ritmo da expansão do PIB tem sido exagerado. "Número não é tudo, isso não conta toda a história", disse Singh.A afirmação foi feita depois de Singh ter sido questionado, durante uma entrevista concedida à imprensa, sobre a proposta de criação de metas de crescimento nos próximos anos, apresentada nesta semana pelo ministro da Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan.Singh comentou que comparações entre taxas de crescimento de diferentes países precisam ser feitas com cautela, e elogiou o perfil do crescimento da economia brasileira, que segundo ele tem tido um impacto muito positivo na redução da desigualdade social. "O Brasil está não apenas alcançando taxas de crescimento maiores - deve crescer 4% em 2007 - mas também tem reduzido a pobreza de uma maneira muito significativa", disse.CrescimentoSegundo o diretor do FMI, o Brasil poderá alcançar taxas de crescimento maiores nos próximos anos. "Os progressos macroeconômicos do Brasil estão lançando as bases para a obtenção de dividendos de crescimento sustentável nos próximos anos", disse.No entanto, Singh salientou que para o Brasil, a exemplo de outros países latino-americanos, o fator-chave para o "crescimento sustentado e maior é a elevação os investimentos e da produtividade".A exemplo de outros diretores do Fundo, Singh observou que os gastos públicos no Brasil vêm crescendo. "Mas esses aumentos não estão num nível que são uma fonte de grande preocupação", disse.VulnerabilidadeSingh também fez uma avaliação positiva da América Latina, que deverá crescer 4,75% em 2006. Mas alertou que os países da região continuam vulneráveis e precisam continuar melhorando suas políticas econômicas e adotando reformas estruturais para enfrentar tempos mais difíceis nos mercados externos. "Os avanços nos últimos anos os avanços foram importantes", disse. "Mas é preciso continuar aumentando a resistência a choques, que certamente virão", completou.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.