Mike Theiler|AFP
Mike Theiler|AFP

FMI sugere que Federal Reserve eleve juros de ‘forma gradual’

Em relatório sobre a economia americana, Fundo avalia que governo dos EUA precisa adotar medidas para resolver problemas estruturais

Altamiro Silva Júnior, correspondente, O Estado de S.Paulo

13 Julho 2016 | 07h45

NOVA YORK - A economia dos Estados Unidos está em “boa forma”, mas os riscos para as perspectivas de crescimento do país pendem para o lado negativo, afirmou o Fundo Monetário Internacional (FMI) ontem ao divulgar o relatório completo Artigo IV sobre a maior economia do mundo. A avaliação é que Washington precisa tomar medidas para resolver problemas estruturais de longo prazo e reduzir a a dívida pública, enquanto o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) deve ser “cauteloso” e subir os juros de forma “muito gradual”.

Entre os riscos de curto prazo para a economia dos EUA, o FMI destaca que as incertezas associadas à saída do Reino Unido da União Europeia podem gerar mais volatilidade no mercado financeiro e estimular a valorização do dólar, fatores que podem ser danosos para a atividade econômica americana.

O dólar caro, afirma o documento, já vem afetando as exportações dos EUA, os investimentos e a produção das empresas e também pesando na inflação. Uma valorização adicional da moeda pode fazer o país crescer menos e gerar preocupações sobre a estabilidade financeira, incluindo nos mercados emergentes.

Um risco ainda mais prejudicial, aponta o FMI, é que o crescimento potencial dos EUA seja menor do que o estimado. Uma das consequências seria a possibilidade de a economia atingir as limitações da capacidade instalada, o que geraria pressões inflacionárias com repercussões globais negativas.

O Fundo prevê que o Produto Interno Bruto (PIB) do país deve crescer 2,2% este ano e 2,5% no próximo. Os números já estavam em um relatório divulgado no dia 22 de junho sobre os EUA, que tinha as principais conclusões do Artigo IV. Ontem, o documento foi divulgado na íntegra e destaca que os EUA estão entrando no sétimo ano consecutivo de expansão e que a taxa de desemprego já caiu para níveis pré-crise financeira mundial de 2008.

O documento menciona que a valorização do dólar e a queda do petróleo contribuíram para esfriar a atividade econômica dos EUA no primeiro trimestre, mas alguns indicadores mostram que a atividade americana está ganhando força no segundo trimestre

“Enquanto a economia dos EUA está indo bem, um crescimento sólido continuado necessita a resolução de questões de longo prazo”, afirma o FMI, citando o crescimento fraco da produtividade no país, o aumento das disparidades de renda e da pobreza e a redução da força de trabalho, ou seja, das pessoas que procuram emprego.

O FMI avalia que a economia americana tem “desafios significativos” pela frente. Por isso, a recomendação da instituição é que o governo pense em políticas para lidar com essas questões ou as perspectivas de crescimento do PIB do país ficam comprometidas. No caso das contas fiscais, a recomendação é de que o governo persiga uma meta de superávit primário ao redor de 1% do PIB no médio prazo.

Juros. Para o FMI, o Fed deve continuar dependente de indicadores para decidir quando subir os juros e ser cauteloso. “Nesse ponto do ciclo, há um claro caso para proceder com uma trajetória de elevação muito gradual para os juros”, afirma o documento. O Fundo prevê que a inflação deve convergir para a meta do BC em 2017, quando pode chegar a 2,1%, considerando o núcleo do índice de preços dos gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês), a medida preferida do Fed para a alta de preços. Este ano, o indicador deve ficar em 1,8%. A taxa de desemprego deve terminar 2016 em 4,9% e 2017 em 4,8%.

 

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