FMI tem previsão 'pessimista' sobre o PIB do Brasil, diz Mantega

FMI tem previsão 'pessimista' sobre o PIB do Brasil, diz Mantega

De acordo com o ministro, estimativas positivas em relação à economia mundial não se concretizaram e essa frustração foi refletida em análise sobre o País

Renata Veríssimo, Laís Alegretti, Adriana Fernandes, O Estado de S. Paulo

07 de outubro de 2014 | 16h08

BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, comentou nesta terça-feira, 7, a revisão da expectativa do Fundo Monetário Internacional (FMI) em relação ao crescimento da economia do Brasil. Para ele, a projeção foi reduzida por frustração das próprias estimativas do organismo. O diagnóstico, para o ministro, é "pessimista". 


"A previsão para o Brasil de 0,3% (o Fundo previa antes 1,3% de crescimento) parece um pouco pessimista. É verdade que tivemos um primeiro semestre de crescimento mais fraco, porém no segundo semestre estamos observando recuperação da economia brasileira. Temos vários indicadores que mostram que a partir de julho tivemos aceleração moderada do crescimento", afirmou.  

De acordo com o ministro, a economia mundial vem crescendo menos que o projetado pelo FMI. "O Fundo contava com uma recuperação das economias avançadas e um desempenho melhor dos emergentes e nada disso aconteceu." Mantega disse que Estados Unidos e Reino Unido estão um pouco melhores, mas que os demais mercados frustraram as expectativas, como a União Europeia e o Japão. 

"O Fundo diz que o primeiro semestre foi desapontador em termos de crescimento e vale para os países avançados", afirma. Para ele, foi em função disso que o FMI fez sua revisão. 

Ele lembrou que o FMI reduziu para 3,3% a previsão de expansão do PIB esse ano para a economia mundial e para 3,9%, em 2015. "Há uma frustração da economia mundial", disse. 

Mantega citou dados de produção industrial, IBC-Br, o monitor do PIB mensal da FGV, produção de bens de capital, produção de petróleo e gás, vendas da produção da indústria automobilística. 

"Temos vários indicadores de que está havendo retorno do crédito a partir da flexibilização do Banco Central de diminuir compulsório. O consignado também está aumentando e o crédito está retornando muito gradualmente à economia brasileira, o que deverá levar a um aquecimento moderado da economia até o fim do ano", defendeu.

O ministro não participará da reunião do FMI nesta semana por causa do segundo turno das eleições. Mantega disse que seus comentários serão repetidos na reunião do FMI pelo secretário de Assuntos Internacionais do ministério, Carlos Márcio Cozendey. O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, também participará do encontro. 

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