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FMI teme superaquecimento da economia brasileira

Avaliação é a de que o Brasil errou na dose das medidas adotadas no auge da crise e o ideal agora seria ter cautela

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE, WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2012 | 03h08

O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou para o risco de o Brasil se ver diante de eventuais choques externos com pequena margem de manobra para enfrentá-los. Ao apresentar sua avaliação sobre a rápida expansão do crédito no País, o diretor do Departamento de Hemisfério Ocidental do FMI, Nicolas Eyzaguirre, recomendou ao Brasil 'cautela' na calibragem das políticas monetária e fiscal para não induzir o superaquecimento da economia.

"Uma situação internacional complexa, que possa provocar forte queda nos preços de commodities, deixaria muito pouco espaço de reação para as economias que estão superaquecidas, com crédito muito volumoso e espaço fiscal reduzido", afirmou Eyzaguirre, ao comentar o caso brasileiro. "Entendemos a direção das políticas do Brasil. Mas recomendamos cautela para não haver superestímulo à economia."

A preocupação do FMI com a expansão rápida do crédito no Brasil e em outros países fora mencionada explicitamente no Relatório de Estabilidade Financeira Mundial, divulgado na quarta-feira. Seus dados apontaram, no caso brasileiro, o aumento de 20% na concessão de crédito entre 2008 e 2011. Na China, entre 2009 e 2011, esse crescimento foi de 25%, mas em proporção mais expressiva em relação ao PIB do que a do Brasil.

Em caso de superaquecimento da economia, os resultados inevitáveis seriam o enfraquecimento do balanço de pagamentos - o saldo do comércio exterior de bens e serviços - e a erosão dos chamados amortecedores de choques. Ou seja, o Brasil ficaria em uma situação frágil demais para o País enfrentar possíveis turbulências externas.

O estímulo ao crédito, assim como o aumento - ou não contenção - dos gastos públicos e a redução das taxas de juros tem sido o instrumento usado pelo governo para estimular a produção nacional. Conforme indicou o economista, o governo brasileiro cometeu erro de calibragem no auge da crise financeira de 2008, quando exagerou ao frear a economia e provocou acentuada desaceleração da atividade.

O FMI insistiu no fato de, apesar de a situação econômica mundial parecer melhor, continuam presentes os riscos de novos choques provenientes da Europa e dos Estados Unidos e relacionados à queda dos preços das commodities. O crescimento econômico da América Latina e Caribe é projetado pelo Fundo em 3,75%, para 2012, e em 4,1%, em 2013. No ano passado, foi de 4,5%. A economia latino-americana foi favorecida pela política monetária expansionista adotada pelos EUA e pela Europa.

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