Douglas Magno/AFP
Douglas Magno/AFP

FMI: Tragédia da Vale em Brumadinho pode ter efeito prolongado na indústria de minério de ferro

A projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2019 caiu de 2,5% para 2,1%,s segundo documento "Perspectiva Econômica Mundial"

Agência Estado, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2019 | 12h46

O colapso da barragem da Vale em Brumadinho (MG) pode ter efeitos prolongados na indústria de minério de ferro, alerta o Fundo Monetário Internacional (FMI) nesta terça-feira, 9, em relatório que rebaixa a projeção de crescimento do Brasil para 2019. 

"O colapso terá ramificações para a indústria, que pode experimentar uma parada prolongada das operações em algumas minas de minério de ferro e uma desaceleração de novos projetos", destaca o documento "Perspectiva Econômica Mundial".

O FMI reduziu a projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2019 de 2,5% para 2,1%. Para o ano que vem, a previsão de alta do PIB aumentou de 2,2% para 2,5%.

Brumadinho 

De acordo com o documento, observa que o rompimento da barragem, que ocorreu dia 25 de janeiro, já afetou o mercado internacional de metais, provocando "aumento acentuado" nos preços do minério de ferro. Entre fevereiro deste ano e agosto do ano passado, as cotações subiram 28,8% por problemas na oferta nas maiores mineradoras do mundo. 

Além da barragem da Vale em Minas Gerais, o FMI menciona ainda um descarrilamento de um trem da mineradora BHP em novembro de 2018 e um incêndio em um terminal de exportações da Rio Tinto em janeiro. 

Metais de base

O FMI estima que seu índice de metais de base deve ter alta de 2,4% em 2019, mas em 2020 deve cair 2,2%. Sobre as previsões para seu índice de metais, o FMI alerta que uma desaceleração mais rápida da economia mundial e uma diminuição do crescimento da China podem levar a revisões para baixo no número. Já um aumento da demanda pela China pode provocar elevação da estimativa.

Ao final de 2018, o índice de metais de base havia caído ao menor nível em 16 meses por conta da desaceleração da economia mundial, sobretudo na China, e tensões no comércio internacional. 

"Contudo, os preços dos metais se recuperaram desde então, puxados pelas expectativas de estímulos fiscais na China e uma melhora da confiança no mercado global, combinado com um aumento acentuado dos preços do minério de ferro por conta do desastre da barragem em Brumadinho", destaca o FMI. 

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