FMI vai mudar sistema de monitoramento

Os desequilíbrios nas taxas de câmbio e no comércio internacional estão provocando volatilidade em um momento no qual a economia global encontra-se demasiadamente vulnerável, adverte o Fundo Monetário Internacional (FMI) em relatório-piloto divulgado ontem.

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2012 | 03h04

Mesmo sem necessidade de consentimento prévio, o FMI pretende analisar mais sistematicamente o impacto das políticas nacionais de seus 188 países-membros sobre o resto do mundo e melhor a maneira de detectar os efeitos de um contágio.

Essa reforma, que a diretora-gerente Christine Lagarde descreveu como "passo importante", entrará em vigor em seis meses e vai cobrir as falhas do atual sistema de monitoramento, diz um comunicado do Fundo.

No entanto, apesar de tais desequilíbrios poderem ser sanados com o tempo, as soluções implícitas na análise do FMI - como a Alemanha permitir uma inflação mais elevada ou a China deixar que o yuan se valorize - são politicamente controversas.

Ao mesmo tempo, não está claro se o novo relatório-piloto vai se refletir em ações. O Grupo dos 20 (G-20, que reúne as nações mais industrializadas e as principais emergentes), por exemplo, alerta para esses desequilíbrios há anos, mas os membros até agora não colocaram em prática nenhuma espécie de reajuste mais profundo.

A intenção declarada pelo FMI no documento é criar um padrão internacional abrangente para definir quando as taxas de câmbio, os saldos em conta corrente, as reservas cambiais e outros importantes indicadores econômicos estão desequilibrados a ponto de representar uma ameaça à economia global.

"Apesar de terem diminuído desde o início da crise, os desequilíbrios externos globais e as vulnerabilidades a eles associadas ficarão provavelmente acima dos níveis desejáveis se ações políticas decisivas não forem tomadas", argumenta o FMI no relatório-piloto.

O FMI calcula, por exemplo, que a taxa de câmbio da China está de 5,0% a 10% subvalorizada, enquanto o euro está até 5,0% sobrevalorizado e o dólar, até 10% acima de seu valor. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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