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FMI vê economia brasileira mais forte

Em São Paulo, diretor-gerente do Fundo lembra que crises da Ásia e da Rússia afetaram duramente o País

Vinícius Pinheiro, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2023 | 00h00

O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Rodrigo de Rato, elogiou ontem, em São Paulo, a política macroeconômica brasileira. ''''Está claro que o avanço na estabilidade foi muito positivo para o País'''', disse. Segundo ele, os progressos na condução da economia têm ajudado o País a atravessar a atual crise nos mercados de modo relativamente controlado. ''''Basta lembrar que as crises asiática e da Rússia, há dez anos, afetaram fortemente o Brasil'''', lembrou.Rato, que deixa o cargo em outubro, estimou que a situação da economia brasileira continuará positiva mesmo depois da crise. ''''Parece que o Brasil entrou numa fase de crescimento sustentável'''', comentou. Ele também destacou a credibilidade da política monetária do governo brasileiro. ''''Se a crise tivesse chegado em outro momento, as conseqüências talvez fossem piores'''', observou.O diretor-gerente do Fundo acredita que a crise nos mercados globais poderá reduzir ligeiramente a projeção de crescimento da economia mundial feita pela instituição, de 5% em 2007 e 2008.Para Rato, apesar da turbulência, a economia mundial terá o sexto ano consecutivo de expansão em 2007. ''''E, pela primeira vez, o crescimento será liderado por uma economia emergente, a China'''', disse.Rato considera ser cedo para avaliar se o pior momento da volatilidade financeira passou. ''''O mercado se comportou de forma moderada nos últimos dois dias, mas temos de continuar vigilantes'''', observou.O diretor do FMI considerou acertada a decisão dos bancos centrais de garantir liquidez no sistema financeiro durante os momentos mais delicados da crise. ''''Os BCs atuaram de maneira decisiva e reforçaram a sua credibilidade.''''Rato rebateu o argumento segundo o qual a sofisticação dos instrumentos financeiros nos últimos anos tenha sido um dos motivos da crise. ''''Seria difícil explicar o crescimento mundial recente se não houvessem as inovações financeiras.''''Ele acredita que os mercados deverão reduzir o excesso de complacência com o risco após a recente crise. Rato lembrou que o FMI alertou os agentes financeiros para o excesso de posições tomadas em operações de arbitragem de juros internacionais. Nessas operações, investidores tomavam empréstimos em países com juro baixo, como o Japão, e aplicavam o dinheiro em países com juro alto, como o Brasil. ''''Alertamos que esses instrumentos embutiam um alto risco.''''Segundo Rato, os mercados internacionais passam por um momento de correção importante, que trará conseqüências. ''''Algumas economias sentirão mais que outras, mas ainda é cedo para falar em números.''''Indagado sobre a economia americana, o diretor do FMI observou que, apesar da crise no mercado de crédito imobiliário de segunda linha (conhecido como subprime), a situação das empresas e do mercado de trabalho continua favorável.De acordo com Rato, o eventual contágio da crise dos mercados para a economia real não deverá se manifestar de forma dramática em nenhum país. ''''Diferentemente das crises anteriores, a atual não deve se manifestar em risco soberano.''''Rato viajou ontem para Campos do Jordão (SP), onde participará de um congresso promovido pela Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). Amanhã, se encontrará o presidente Lula, em Brasília.

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