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FMI vê risco de novo arrocho de crédito

Maior ameaça é o ajuste na Europa, mas há preocupação com o crédito na China e Brasil

ROLF KUNTZ, ENVIADO ESPECIAL / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2012 | 03h05

O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou para o risco de um novo arrocho de crédito na Europa até o fim do próximo ano, com impacto nos emergentes, incluído o Brasil. Além disso, o governo brasileiro tem menos espaço para usar o crédito interno como antídoto para um choque externo, depois da rápida expansão dos empréstimos entre 2008 e 2011, cerca de 20% ao ano, e do aumento da inadimplência, segundo o Relatório de Estabilidade Financeira Global apresentado ontem.

Os grandes bancos europeus poderão cortar US$ 2,6 trilhões (2 trilhões) de seus ativos até o fim de 2013, se as atuais condições de política econômica forem mantidas. Cerca de um quarto da redução, aproximadamente US$ 600 bilhões, deverá ser obtida por meio de uma contração dos empréstimos. O resto será obtido pela venda de ativos não essenciais. No pior cenário, caracterizado por políticas fracas, o ajuste poderá chegar a US$ 3,8 trilhões.

A situação na zona do euro melhorou nos últimos meses, graças a políticas mais fortes adotadas na Itália e na Espanha, ao novo acordo sobre a crise grega, ao avanço de Portugal e da Irlanda no cumprimento de seus programas e à ação do Banco Central Europeu, disse o diretor do Departamento de Mercados Monetário e de Capitais do FMI, José Vinãls. Mas os bancos, lembrou, continuam sujeitos a fortes pressões e à necessidade de corrigir seus balanços para torná-los mais seguros.

Em qualquer caso, os emergentes mais afetados por um novo arrocho serão os da periferia da União Europeia, mas haverá reflexos em todo o mundo. Os bancos podem ajustar seus balanços às condições de segurança impostas pelos governos captando mais capital, cortando ativos - incluídos os financiamentos - ou combinando as duas formas de ação. Se dependerem principalmente do corte dos empréstimos, o resultado será muito ruim para a economia europeia.

Desafios fiscais ainda sem solução nos Estados Unidos e no Japão também representam riscos latentes para a estabilidade global, disse Viñals.

Os emergentes enfrentaram sem grandes danos a crise de 2008/2009 e muitos acumularam reservas nos anos seguintes, em parte graças a intensos fluxos de capitais. Se o fluxo líquido recebido entre 2009 e 2011 for revertido e sair desses mercados em um trimestre, como ocorreu depois da quebra do banco Lehman Brothers, em 2008, haverá uma perda de 1,5 a 2 pontos no crescimento econômico. A perda poderá chegar a 2 pontos porcentuais, no caso do Brasil, segundo estimativa do Fundo. Os cálculos aparecem no relatório.

Mas Brasil e outros emergentes têm problemas criados internamente, além de ser vulneráveis a choques provenientes da Europa e de outras áreas desenvolvidas. O novo o relatório retoma a advertência publicada na edição de setembro de 2011: a rápida expansão do crédito em algumas dessas economias e o perigo de insolvência e diminui sua capacidade de enfrentar os choques externos.

O caso da China merece atenção especial, segundo os autores do documento, por causa do tamanho da país e de sua importância para a economia global. O investimento imobiliário gera 13% do PIB, concentra 20% dos empréstimos bancários e qualquer dificuldade no setor habitacional pode afetar severamente a economia. O crédito na China cresceu a uma taxa média anual de 25% em 2009 e 2010 e a relação crédito/PIB chegou a 150%. Segundo testes conduzidos recentemente, os calotes poderão chegar a 8% do valor dos financiamentos, se os preços das casas caírem e o crescimento econômico fraquejar.

"Preocupações semelhantes valem para o Brasil", onde o crédito cresceu em média cerca de 20% ao ano entre 2008 e 2011, segundo o relatório. Empréstimos fornecidos pelo BNDES ajudaram, em 2009, a limitar o impacto da quebra do Lehman Brothers, mas expansão do créditos elevou a taxa de insolvência.

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