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FMI vê sacrifício de Brasil, Europa e Canadá no câmbio

A valorização do real foi apontada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) como um dos focos de preocupação causados pelos atuais desequilíbrios nos mercados de câmbio internacionais. Numa entrevista ontem a um pequeno grupo de jornalistas durante a Reunião Anual dos Ministros das Finanças e Governadores de Bancos Centrais do G-20 (grupo dos 20 principais países ricos e desenvolvidos), da qual a Agência Estado participou, o diretor-gerente do Fundo, Dominique Strauss-Kahn, disse que ?alguns países têm sobre os ombros um peso do ajuste muito maior do que deveriam?. E acrescentou: ?Esse é o caso do dólar canadense, do euro, do real brasileiro?.Ao falar em ajuste nos mercados cambiais, Strauss-Khan se referiu, principalmente, ao impacto da desvalorização do dólar diante de várias moedas, mas também à cotação do yuan chinês, que, segundo analistas, continua muito subvalorizado. Ou seja, o papel de alguns países no equilíbrio global do mercado de câmbio (no caso, Brasil, Europa e Canadá) tem sido muito maior do que de outros.Antes de mencionar o real brasileiro, o diretor do Fundo disse que a tendência de enfraquecimento do dólar americano é ?um movimento na direção certa?. Embora não tenha citado diretamente o yuan, ele deixou claro que o ritmo de valorização da moeda chinesa, promovido pelas autoridades de Pequim, é considerado lento pelo Fundo. ?Por outro lado, há outras moedas, principalmente dos países que têm grandes superávits em conta corrente, que não estão se movendo como esperamos?, disse. ?Algumas estão se movendo muito lentamente, outras na direção errada, e isso causa preocupação.?O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, não quis comentar as declarações de Strauss-Kahn. ?Não costumo falar sobre o que não ouvi diretamente?, afirmou. Mas Meirelles observou que os preços de diversos ativos brasileiros estão numa trajetória de valorização por causa do bom momento econômico vivido pelo Brasil . ?Essa valorização dos ativos reflete a melhora dos fundamentos da economia brasileira, como seu saldo positivo no balanço de pagamentos, a inflação dentro da meta e a entrada de recursos para os investimentos diretos.?Dólar forteO comunicado final da reunião do G-20 fez uma menção tímida à questão do câmbio, refletindo as divisões de posições provocadas pelo tema entre os países membros. O documento sugeriu uma ?maior flexibilidade cambial em vários países com superávit? em conta corrente.A União Européia (UE), com o apoio dos Estados Unidos, aumentou recentemente a pressão para que Pequim permita uma valorização mais rápida do yuan. Mas os europeus também estão cada vez mais insatisfeitos com o declínio do dólar, que vem afetando suas exportações aos Estados Unidos. Durante o encontro, o secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, voltou a afirmar que um ?dólar forte? é do interesse de seu país.

JOÃO CAMINOTO, Agencia Estado

19 de novembro de 2007 | 08h50

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