FMI: volatilidade dos mercados vai diminuir até dezembro

O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, afirmou hoje que uma parte da volatilidade registrada pelos mercados financeiros em função da crise fiscal em alguns países da Europa deve diminuir até o fim do ano. "É difícil fazer previsões em termos de volatilidade de mercados que foram atingidos pelo problema da Grécia e pela falta de confiança na situação da zona do euro, mas isto voltará à normalidade nos próximos meses", ressaltou. Kahn participou do 6º Fórum Globonews, em São Paulo.

RICARDO LEOPOLDO, Agencia Estado

25 de maio de 2010 | 14h14

Questionado se uma parcela expressiva dos problemas da Grécia seria resolvida neste ano, Kahn foi categórico: "o problema da Grécia é de longo prazo, bem como o plano (de recuperação) estabelecido pelas autoridades europeias." "Ninguém pode dizer que o problema vai ser resolvido este ano, mas parte de sua implementação ocorrerá ainda em 2010", afirmou.

Plano de resgate

O diretor-gerente do FMI disse que "não há ameaça ao sistema do euro" em função da forte crise que atinge alguns países da Europa e provoca intenso nervosismo no mercado financeiro global. "É difícil para a Grécia fazer o que tem de fazer, mas (o governo) já adotou algumas decisões. Porém, ocorreram muitos erros no passado, não há outro jeito para eles", afirmou.

Kahn, no entanto, destacou que está confiante de que o plano de resgate da economia grega será bem sucedido, embora tenha ressaltado que deverá levar alguns anos para gerar resultados positivos. "Eu fiquei impressionado com a forma pela qual o governo explicou suas políticas ao povo. O (programa) que está sendo implementado foi muito planejado pelas autoridades europeias. Talvez precise de algumas mudanças para tornar-se mais crível. Eu penso que esse plano vai funcionar."

Para o diretor-gerente do FMI, contudo, o problema maior da Grécia hoje é viabilizar a plena implementação do programa de ajuste da economia, pois a cada dia é preciso "um novo acordo" político para que as medidas passem a ser adotadas. "Não subestime o problema dos gregos", ressaltou Khan. Segundo ele, o programa econômico que promove drástico ajuste fiscal é o único caminho para levar a economia do país à trajetória de desenvolvimento.

Brasil no FMI

Strauss-Kahn afirmou ainda que é "uma ideia muito boa" ver uma autoridade brasileira dirigindo uma instituição de peso internacional como o FMI. "Isso não é só possível, como poderá ser o caso no futuro", afirmou, embora tenha ressaltado que a instituição tem muitos países membros e diversos deles poderão se candidatar. Kahn destacou que hoje o Brasil está desenvolvendo dois papéis importantes no mundo. "Um deles é o econômico, pois o Brasil, como país emergente, tem um papel crescente", comentou.

Questionado sobre se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva seria um bom nome para o cargo, Strauss-Kahn respondeu com bom humor. "Eu não acredito que ele postule essa posição." Um outro papel do País é a liderança política, dado que o presidente Lula ganhou grande expressão internacional nos últimos dois anos, especialmente junto ao G-20 (grupo que reúne as 20 maiores economias do mundo), a partir da deflagração da crise financeira internacional.

Kahn ressaltou que a liderança desempenhada por Lula partiu da confiança que o presidente desfruta em nível mundial, o que está relacionado com sua personalidade. Nos meios políticos, analistas internacionais apontam que Lula possui um perfil conciliador que estimula o diálogo e toma decisões com grande dose de bom senso.

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