FMI volta a cortar projeção de crescimento para economia mundial, mas eleva a dos EUA

Para 2014, a expectativa é que o PIB global cresça 3,3%, ante 3,4% estimados em julho; poucos países desenvolvidos tiveram suas estimativas de crescimento melhoradas, entre eles os EUA

Altamiro Silva Junior, enviado especial, O Estado de S. Paulo

07 de outubro de 2014 | 10h19

WASHINGTON - As projeções para a expansão da economia mundial foram novamente rebaixadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), embora desta vez em menor ritmo que em revisões anteriores. Para 2014, a expectativa é que o Produto Interno Bruto (PIB) global cresça 3,3%, ante 3,4% estimados em julho, quando foi divulgado o último relatório de estimativas do FMI. Para 2015, a projeção baixou de 4% para 3,8%.

O FMI destaca que o crescimento mundial tem sido decepcionante e os dados mais recentes revelam que o ritmo da atividade tem sido cada vez mais específico de cada país, ou seja, a diferenciação de números aumentou. Estados Unidos e Reino Unido estão se acelerando, enquanto a zona do euro e o Japão patinam e os emergentes, como o Brasil, reduziram o ritmo de expansão.

Os Estados Unidos foram um dos poucos países do primeiro mundo com estimativas melhoradas. A projeção do PIB norte-americano em 2014 subiu de 1,7% para 2,2%. Em 2015, foi mantida em 3,1%. "Apesar de alguns contratempos, continua uma recuperação econômica desigual", afirma o relatório Perspectiva Econômica Global, citando que os EUA só não crescem mais este ano que fatores temporários, como o inverno rigoroso, afetaram a atividade no começo de 2014.

Para lidar com o ritmo fraco da atividade, o FMI cobra ação dos governos e reformas estruturais "urgentes". "Em vários países, elevar o crescimento atual e potencial permanece uma prioridade." O documento ressalta ainda que os investidores podem ter exagerado na tomada recente de risco e que as condições mais benignas do mercado financeiro este ano não se traduziram em aumento do investimento privado, nem nos emergentes e nem no primeiro mundo.

"De um lado os países ainda precisam lidar com o legado da crise de 2008. Do outro, nuvens permanecem no cenário", afirma o economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, em uma entrevista à imprensa nesta terça-feira, alertando que fatores geopolíticos passaram a ter maior peso nos últimos meses.

Os países emergentes devem crescer 4,4% este ano e 5% no próximo, nos dois casos abaixo do previsto em julho. Para a China, as projeções foram mantidas em 7,4% e 7,1%, respectivamente para 2014 e 2015. Na América Latina, o México teve a estimativa mantida em 2,4% este ano e elevada em 0,1 ponto em 2015, para 3,5% na comparação com o relatório de julho.

A zona do euro também teve corte nas projeções. Para este ano, se espera expansão de 0,8%, abaixo dos 1,2% estimados em julho. Para 2015, a estimativa caiu de 1,5% para 1,3%. Blanchard chama atenção para o risco de que o crescimento na região possa parar e a baixa inflação virar uma deflação. "Esse não é nosso cenário base, mas se ocorrer seria a principal questão confrontando a economia mundial", afirma o economista.

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