Foco de aftosa pode estar no Paraguai, diz Zeca do PT

O governador de Mato Grosso do Sul, José Orcírio (o Zeca do PT), foi enfático hoje ao dizer que a origem do foco de febre aftosa constatado em Eldorado (MS), pode ter sido o Paraguai. "Me estranha muito que nos últimos seis ou sete anos os focos de aftosa em Mato Grosso do Sul foram em regiões próximas ao Paraguai", afirmou. Zeca do PT observou que o tipo do vírus encontrado em todos os casos foi sempre variante do tipo O. O governador lembrou que em 1998 foi registrado um foco da doença em Porto Murtinho; em 1999, o foco foi em Naviraí, ambos em Mato Grosso do Sul e perto da fronteira com o Paraguai. Em 2000 e 2001, os focos foram do lado paraguaio. Para todos esses focos, os exame laboratoriais confirmaram a variedade do tipo O. "É muita coincidência", disse o diretor da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), João Cavallero.Eles participaram nesta manhã de uma reunião com o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues. O governador defendeu a criação de uma "zona tampão" num raio de 25 km a partir de Eldorado. A idéia do governador é que essa área fique "isolada" e sob controle, ou seja, animais e carne produzidos nessa região não poderiam ser comercializados para outras regiões, até que houvesse um maior controle e erradicação do foco. O governador citou os Estados de São Paulo, Goiás e Paraná como aqueles que impuseram restrições ao trânsito de animais e derivados de todo o Mato Grosso do Sul. "Um pecuarista do norte do Estado, que está a 500 km do foco, não pode ser penalizado", comentou. Zeca do PT salientou que amanhã haverá uma reunião em Brasília, com secretários estaduais de Agricultura para padronizar as regras de comércio com Mato Grosso do Sul. Ainda com relação ao Paraguai, o governador disse que o serviço de inteligência do Estado foi acionado para avaliar a situação na fronteira com Mato Grosso do Sul.O governador salientou que enquanto não for divulgado resultado os exames feitos em partes dos animais doentes não haverá indenização aos pecuaristas que estão tendo de abater seus animais. "Primeiro precisamos saber a origem do foco. Se a culpa imputada é do governo haverá indenização", garantiu. "Por isso, o Ministério da Agricultura criou um grupo emergencial. Vamos fazer desse limão, uma limonada", completou. Zeca do PT disse, ainda, que se for mantida a restrição ao gado em pé proveniente de Mato Grosso do Sul, o governo do Estado vai perder cerca de R$ 10 milhões por ano, só com a não arrecadação de ICMS. Ele reafirmou que na reunião de hoje o ministro Rodrigues lembrou que o governo federal vai repassar R$ 3,5 milhões para o controle da doença no Estado. "O foco serve como lição, mas eu acho que o governo federal não falhou", concluiu o governador petista.

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