Foco de novas medidas do governo será a indústria, diz Lupi

De acordo com o ministro, o resultado negativo na geração de emprego por este setor preocupou o governo

Isabel Sobral, de O Estado de S.Paulo

19 de janeiro de 2009 | 16h16

O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, disse nesta segunda-feira, 19, que o foco das novas medidas do governo para estimular a economia será o setor industrial. De acordo com o ministro, o resultado negativo na geração de emprego em dezembro por este setor preocupou o governo. De acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o último mês de 2008 registrou o fechamento líquido de 273.240 postos de trabalho somente pela indústria. Particularmente, a indústria paulista, de acordo com o ministério. "A indústria é o setor mais afetado pela crise e a que tinha o estoque mais alto de trabalhadores", afirmou Lupi durante entrevista coletiva em que anunciou os dados do Caged de dezembro e de 2008.  Veja também:Desemprego, a terceira fase da crise financeira global De olho nos sintomas da crise econômica Dicionário da crise Lições de 29Como o mundo reage à crise  Ainda de acordo com o ministro, a expectativa é de que o mercado formal de trabalho permaneça "fraco" ainda em janeiro e fevereiro. "Em março acredito que teremos uma retomada (oferta de emprego)", disse.  O ministro voltou a defender queda na taxa Selic pelo Banco Central como forma de estimular o ritmo de crescimento da economia. Ele chegou a arriscar uma aposta para a reunião que começa amanhã e termina na quarta-feira. "Acho que 0,50 ponto é o mínimo que podemos esperar. Já estou sendo chamado de José Alencar dois por cobrar tanto a queda do juro", disse.  FAT O ministro informou que a indústria do Estado de São Paulo recebeu R$ 2,97 bilhões em empréstimos com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) no período de janeiro de 2006 a março de 2008, segundo levantamento de técnicos do ministério. A pesquisa tem data de 16 de janeiro deste ano. Os dados foram apresentados por Lupi em resposta ao desafio feito pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, (Fiesp), Paulo Skaf, na semana passada, quando criticou os comentários do ministro de que o governo estaria salvando empresas com recursos dos trabalhadores e ainda assim demitindo funcionários. Ao divulgar o levantamento por setores, Lupi ressaltou que esses empréstimos usaram recursos dos depósitos especiais do FAT, que têm juros "mais baixos" do que no mercado, uma vez que são cobrados a TJLP mais 5% ou 6% ao ano. "Estou respondendo ao desafio do presidente da Fiesp", explicou. voltando atrás nos próximos meses. "Muitos podem estar avaliando mal a situação e vão ter dois custos: o demitir agora e ter que recontratar depois", afirmou.  Direitos Lupi disse também que "este não é o momento de se retirar direitos". A afirmação foi feita pelo ministro ao comentar a defesa por parte de alguns setores empresariais de que seria necessário flexibilizar as regras trabalhistas para que as empresas possam enfrentar os efeitos negativos da crise econômica internacional. Lupi ponderou, entretanto, que o governo não vai interferir nos acordos trabalhistas que estão em vigor ou forem fechados diretamente entre patrões e empregados.  "Não cabe o governo interferir na relação entre trabalhadores e empresários", declarou o ministro. Lupi informou que entregou os dados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas afirmou que não foram tratadas das medidas que o governo pretende anunciar para ajudar a economia a reagir aos efeitos da crise. "O que me cabia era entregar os dados para que o presidente possa tomar as decisões", comentou. Questionado sobre a possibilidade de ampliação das parcelas do seguro-desemprego para apoiar os trabalhadores que estão sendo demitidos, Lupi voltou a defender que isso só deve ser decidido a partir de março, quando "teremos uma visão mais clara da crise". Para o ministro, os empresários que estão demitindo neste início de ano podem acabar voltando atrás nos próximos meses. "Muitos podem estar avaliando mal a situação e vão ter dois custos: o demitir agora e ter que recontratar depois", afirmou. 

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