Itaú Unibanco/Divulgação
Itaú Unibanco/Divulgação

'Foco do Brasil precisa ser somar esforços para agenda de reformas', diz novo presidente do Itaú

Milton Maluhy, que assume o cargo nesta terça-feira, disse que atraso na vacinação pode comprometer metade do crescimento do País previsto para este ano

André Ítalo Rocha e Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2021 | 11h39

O novo presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy, que assume o comando da instituição nesta terça-feira, 2, em substituição a Candido Bracher, disse que o foco do Brasil neste momento precisa ser somar esforços em prol de uma agenda de reformas. Ele não quis comentar sobre a possibilidade de impeachment do presidente Jair Bolsonaro. “O ponto mais importante é que não discutimos hipóteses. O Congresso elegeu seus líderes e a agenda que temos para o Congresso é o foco em agenda reformistas”, disse em teleconferência para comentar os resultados do banco.

Ele lembrou que as taxas de juros praticadas no mercado embutem, atualmente, prêmios de risco - ligados à questão fiscal, por exemplo -, e que, portanto, o País tem de sinalizar com uma agenda de reformas. Para Maluhy, as três medidas mais importantes são: aprovação da PEC emergencial e as reformas tributária e administrativa.

Passadas as eleições no Congresso, o novo presidente do Itaú vê, porém, como ação mais urgente o avanço do plano de vacinação no Brasil. “Um atraso na vacinação pode comprometer metade do crescimento de 4% que esperamos para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2021”, disse.

O executivo disse ainda que, em relação à pandemia, caso o governo resolva retomar o auxílio emergencial, precisa sinalizar, além da agenda de reformas, com um plano de redução de gastos. “Tivemos uma pandemia sem precedentes e o governo fez o que tinha de fazer. Era o momento de gastar. Mas o nível de endividamento está muito alto e estamos muito próximos do teto (dos gastos). Qualquer revisão de programa assistencial tem de vir com notícia de reforma”, disse.

Aumento da inadimplência

Em relação ao banco, Maluhy reconheceu que a inadimplência deve subir em 2021, por conta dos efeitos da pandemia, mas disse que a dinâmica será melhor do que a imaginada pelo banco anteriormente. Ele lembrou que, em razão dos programas de renegociação de dívidas, a taxa de inadimplência do Itaú atingiu o menor nível da história. A expectativa, segundo o executivo, é que o índice de atrasos superiores a 90 dias suba em 2021 a ponto de ficar próximo dos níveis anteriores à crise causada pela pandemia.

Mesmo com o esperado aumento da inadimplência, o custo de crédito deve cair, afirmou o executivo. “Com as provisões feitas em 2020, é natural que, à medida que os atrasos subam, sejam consumidas as provisões já feitas, e por isso o custo de crédito caia ao longo do ano, porque já houve antecipação”, afirmou.

O executivo, que disse que 96% das carteiras de crédito já estão fora dos períodos de carência, acredita que o pico da inadimplência deve ocorrer entre o último trimestre de 2021 e o primeiro trimestre de 2022, mas ponderou que, com as incertezas que ainda existem para a economia, é difícil fazer uma previsão. De qualquer forma, o crédito tem crescido, em especial para linhas de menor risco, como veículos, imobiliário e consignado, afirmou o executivo. “Ainda vemos carteira de veículos e consignado com demanda forte.” 

Eficiência

O novo presidente do Itaú Unibanco afirmou ainda que não há uma “bala de prata” na agenda de eficiência do banco. Ressaltou que é necessário mais austeridade e foco no que realmente é relevante diante do cenário atual, com aumento da concorrência e da digitalização em meio à pandemia. “A agenda de eficiência inclui a linha de custos e de receitas. Considerando a inflação, tivemos queda de mais de 7% em 2020. São números relevantes”, disse Maluhy.

O banco não prevê fechar mais agências em 2021, conforme o executivo. No ano passado, foram fechadas 117 unidades físicas. “Acreditamos no meio físico. Nossa rede de atendimento será do tamanho que nossos clientes definirem”, afirmou.

Segundo ele, a base de clientes do banco é muito heterogênea, com aqueles que só usam os canais enquanto outros vão às agências todos os dias. Portanto, o foco é combinar os dois mundos. “Nosso objetivo é ser mais eficiente no custo de gestão do banco... Com isso, abrimos espaço para crescer. São duas agendas intensas, custo e geração de crescimento, receitas, em busca de um menor índice de eficiência.”

Maluhy afirmou que sua gestão deve focar na transformação digital do banco e disse que a tecnologia é parte integral das áreas de negócios da instituição. Além disso, lembrou que o novo comitê executivo passou a contar com 12 membros, o dobro de antes, e disse que o objetivo é dar mais autonomia e velocidade à nova estrutura, simplificando e reduzindo o nível hierárquico no banco. Ele reforçou a criação de uma área de pagamentos, justificada pela “profunda” transformação pela qual vem passando o setor.

Despedida de Candido Bracher

De saída do comando do maior banco da América Latina, Candido Bracher afirmou que tinha “satisfação” em passar o bastão a seu sucessor, Milton Maluhy. “Nesses meses de transição, ele demonstrou estar tão preparado, tão dedicado, tão senhor dos assuntos do banco”, disse, em teleconferência.

Bracher aproveitou para agradecer a cobertura da imprensa durante sua gestão. Diferente das outras teleconferências, desta vez, ele não conduziu a apresentação nem respondeu às questões dos jornalistas. Deixou o palanque, virtual por conta da pandemia, para seu sucessor. Bracher assumirá um assento no Conselho de Administração do conglomerado.

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