Natacha Pisarenko/AP
Natacha Pisarenko/AP

Foco do empréstimo é emprego, confiança e crescimento, diz Lagarde sobre Argentina

Diretora do FMI afirmou que o objetivo do programa econômico que a Argentina apresentará é a expansão do crescimento, a criação de empregos e o resgate da confiança do mercado

Cláudia Trevisan, correspondente, O Estado de S.Paulo

18 Maio 2018 | 15h39

WASHINGTON - O programa econômico que a Argentina apresentará ao Fundo Monetário Internacional (FMI) terá por objetivo a expansão do crescimento, a criação de empregos e o resgate da confiança do mercado para reduzir as necessidades financeiras do país e colocar a dívida pública em uma trajetória de queda, disse ontem a diretora-gerente da instituição, Christine Lagarde. 

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Segundo ela, o governo de Mauricio Macri pretende proteger a população mais vulnerável durante essa “transição”. As declarações foram dadas por Lagarde depois da reunião da Diretoria Executiva do FMI que analisou o pedido da Argentina de um empréstimo “stand by de acesso excepcional”, destinado a países que enfrentam dificuldades para honrar seus compromissos externos. “Apoio totalmente esses objetivos”, afirmou.

“Esse será o programa econômico da Argentina, um que é de total propriedade do presidente Macri e seu governo”, disse Lagarde. “Essa é uma parceria entre a Argentina e o FMI e nosso objetivo comum é alcançar uma rápida conclusão dessas discussões.” As conversas começaram há dez dias. 

Lagarde elogiou as medidas adotadas por Macri desde o início de seu governo, mas ponderou que a necessidade de construção de consenso para aprovação de reformas reduziu o ritmo de algumas delas.

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Na avaliação da chefe do FMI, a volatidade financeira na Argentina é provocada pelo aperto de condições financeiras em âmbito global e a seca que prejudicou a safra do país. “Foi nesse contexto que as autoridades argentina solicitaram nosso apoio para ajudar a combater a volatilidade do mercado e proteger o crescimento, a criação de empregos e a coesão social na Argentina.” O stand by de acesso excepcional permite que o país obtenha financiamento várias vezes superior à sua quota no Fundo. 

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A decisão de Macri de recorrer ao FMI foi condenada por parte da população argentina, que saiu às ruas para protestar. Isso e o histórico negativo do Fundo no país ajudam a explicar a linguagem conciliadora adotada por Lagarde. 

Em 2004, o FMI fez um mea culpa de sua atuação na crise de 2000-2002 da Argentina. A instituição disse que errou ao apoiar o sistema de câmbio fixo que estava na origem dos desequilíbrios que levaram ao default do país. O apoio do FMI já surtiu efeito na capacidade do país de ter acesso a fontes de financiamento. Na terça-feira, as autoridades conseguiram rolar uma dívida de US$ 25 bilhões.

 

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