André Dusek/Estadão
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Juros

E-Investidor: Esperado, novo corte da Selic deve acelerar troca da renda fixa por variável

Projeção para inflação encosta em 9% e mercado aposta em nova alta dos juros

Analistas agora preveem que a Selic encerrará 2015 em 14,25% ao ano; expectativa para o PIB teve nova piora e ficou em -1,45% 

Célia Froufe, O Estado de S. Paulo

22 de junho de 2015 | 09h01

Depois dos resultados surpreendentes do IPCA de maio e do IPCA-15 de junho, ambos acima das estimativas, analistas consultados pelo Banco Central para o Relatório de Mercado Focus elevaram mais uma vez suas previsões para o índice. Pela 10ª rodada consecutiva, a estimativa para o indicador deste ano avançou de 8,79% da semana anterior para 8,97% agora. Há um mês, essa projeção estava em 8,37%.

Com isso, o relatório também trouxe a mudança já ''cantada'' individualmente pelos economistas para o comportamento da Selic neste ano. A mediana das projeções aponta que a taxa básica de juros encerre 2015 em 14,25% ano ante taxa de 14,00% vista até a semana passada. Há um mês, a estimativa observada no boletim era de que a Selic encerrasse 2015 em 13,75% ao ano.

A expectativa pela mudança se dá desde a decisão da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter o ritmo de alta dos juros em 0,50 ponto porcentual e, principalmente, após a divulgação da ata desse encontro, considerada conservadora. Atualmente, a Selic está em 13,75% ao ano. No caso do fim de 2016, a mediana das projeções permaneceu em 12,00% ao ano pela quarta semana seguida.

Já em relação à inflação, a mediana das projeções para o IPCA no fim de 2016 - que é o foco do BC - se mantém inalterada há cinco semanas consecutivas, em 5,50%.  Apenas no Top 5, que é o grupo dos economistas que mais acertam as estimativas, houve refresco nas projeções para a inflação. Para este ano, a mediana das estimativas de 8,90% foi substituída pela de 8,83%. Está ainda, entretanto, maior do que a taxa aguardada há um mês, de 8,75%. 

No caso de 2016, houve estabilidade da previsão em 5,21%, menor do que a mediana apontada na pesquisa geral, de 5,50%. Quatro edições atrás, estava em 6,00%.

PIB mais fraco. Com mais uma semana ajustes negativos nas planilhas, os analistas do setor privado passaram a estimar que o Produto Interno Bruto (PIB) de 2015 deve ter retração de 1,45%. A projeção está pior do que a taxa de 1,35% calculada na semana passada. Há quatro semanas, a mediana era de -1,24%. Para 2016, a mediana das previsões passou de 0,90% para 0,70%. Um mês antes, estava em 1,00%. 

Para a produção industrial, a estimativa de queda de 3,20% em 2015 foi substituída no boletim Focus para baixa de 3,65%. Quatro edições da pesquisa atrás, a mediana das previsões para o setor fabril era de uma retração de 2,80%. Já para 2016, a mediana das estimativas voltou para o patamar de um mês atrás, de 1,50%, após perspectiva de expansão para a indústria, de 1,60% da semana passada. 

Os analistas esperam que a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB encerre 2015 em 37,90%, mesmo patamar de quatro edições atrás do boletim Focus. Na semana passada, a mediana estava em 37,95%. Para 2016, após manutenção da previsão em 38,50% por seis edições consecutivas, o mercado financeiro projeta agora uma relação de 38,20%.

Dólar a R$ 3,40. Em relação ao mercado de câmbio, o relatório vem mostrando poucas alterações. Desta vez, a principal foi na projeção para o dólar no final do ano que vem. De acordo com o documento, a cotação da moeda americana estará em R$ 3,40 no encerramento de dezembro ante perspectiva anterior mantida por 10 semanas de R$ 3,30.

Com isso, a cotação média do dólar ao longo de 2016 passou de R$ 3,27 para R$ 3,30. Quatro semanas atrás estava em R$ 3,25. Essa alta da cotação média nas últimas semanas já indicava que uma mudança nas projeções para o fim do ano iria ocorrer.

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