Focus aumenta projeção para inflação e PIB em 2010

Pela quarta semana consecutiva o mercado financeiro elevou a estimativa para o IPCA em 2010, cuja mediana passou de 4,78% para 4,80%, na pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central. Há quatro semanas, essa previsão estava em 4,50%. Com o movimento observado nas quatro pesquisas, o número esperado pelos analistas se afasta ainda mais do centro da meta de inflação para o ano, de 4,50%.

Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

17 de fevereiro de 2010 | 14h39

 

Para 2011, a estimativa do mercado para o IPCA permaneceu exatamente no centro da meta em 4,50% há 85 semanas seguidas.

 

No grupo dos analistas que mais acertam as projeções na pesquisa, o chamado Top 5, a mediana das projeções para o IPCA em 2010 no cenário de médio prazo, subiu de 4,81% para 4,87%, ante 4,54% de quatro semanas antes. Para 2011, esses analistas mantêm previsão de alta de 4,50% há nove semanas. Entre todos os analistas ouvidos pelo BC, a previsão para o IPCA em fevereiro de 2010 subiu de 0,63% para 0,67% na segunda elevação seguida. Para março, a projeção foi ajustada, de 0,34% para 0,35%.

 

PIB e dívida pública

 

O mercado financeiro elevou também a projeção para a expansão do PIB brasileiro em 2010 de 5,35% para 5,47%. Há quatro semanas, essa expectativa era de crescimento de 5,30%. Para 2011, foi mantida a previsão de que a economia deve crescer 4,50%. O número é repetido há dez semanas.

 

Na avaliação do mercado, o crescimento da economia em 2010 deverá ser liderado pela atividade industrial, cuja previsão de crescimento neste ano foi reduzida de 8,61% para 8,55%, superior à estimativa de 8% observada há quatro semanas. Para 2011, o mercado manteve a previsão de expansão do setor industrial em 4,85%, ante 4,70% de um mês atrás.

 

Na mesma pesquisa, analistas elevaram a estimativa para o nível da dívida líquida do setor público em comparação com o PIB em 2010, de 41,70% para 41,95%. Um mês antes, a previsão estava em 42,95%. Para 2011, a estimativa para o indicador foi em sentido contrário e passou de 40,70% para 40,50%, ante 40,85% de quatro semanas antes.

 

As instituições financeiras voltaram a piorar a previsão de déficit em conta corrente em 2010. De acordo com a pesquisa Focus divulgada há pouco pela autoridade monetária, a estimativa de saldo negativo nas contas externas neste ano aumentou de US$ 48 bilhões para US$ 50,05 bilhões. Há um mês, o mercado esperava déficit de US$ 45,5 bilhões.

 

Para 2011, a previsão de resultado negativo das contas externas reagiu e caiu de US$ 58,99 bilhões para US$ 57,81 bilhões. A previsão de superávit comercial em 2010 foi mantida em US$ 10 bilhões. Para 2011, a estimativa para o superávit da balança comercial subiu de US$ 3,75 bilhões para US$ 5 bilhões, contra US$ 4,5 bilhões estimados quatro semanas antes.

 

Já a mediana das expectativas para a entrada de Investimento Estrangeiro Direto (IED) em 2010 foi mantida em US$ 38 bilhões. Para 2011, a estimativa permaneceu em US$ 40 bilhões, contra US$ 39,2 bilhões de quatro pesquisas antes.

 

Juro e dólar mantidos

 

Analistas mantiveram a previsão de que o juro básico da economia brasileira vai permanecer em 8,75% até o fim do primeiro trimestre de 2010. Para os economistas ouvidos pelo Banco Central, o ciclo de aperto monetário deve começar no encontro de abril do Comitê de Política Monetária (Copom), quando o mercado financeiro prevê alta de 0,50 ponto porcentual na Selic, para 9,25% ao ano. Os dados foram divulgados há pouco pela pesquisa Focus, realizada e divulgada pelo BC.

 

O levantamento mostra que analistas mantiveram a previsão de que o esperado ciclo de aperto monetário deve perdurar por cinco reuniões do colegiado: nos meses de abril, junho, julho, setembro e outubro. Em cada reunião, o juro deve subir 0,50 ponto, cita a pesquisa, que mostra juro de 11,25% no fim de outubro e manutenção do patamar em dezembro.

 

Dessa forma, foi mantida a estimativa de que a taxa básica de juros deve terminar 2010 em 11,25% ao ano. Para 2011, porém, o mercado deixou de apostar em um início de desaperto monetário e a previsão para a Selic no fim do próximo ano subiu de 11% para 11,25%, exatamente o mesmo número previsto para o fim de 2010.

 

Analistas elevaram a estimativa para o juro médio no decorrer de 2010 de 10% para 10,06%, ante 9,88% de um mês atrás. Para 2011, a expectativa para a Selic média avançou de 11,10% para 11,25%. Há um mês, a previsão do mercado era de 11%.

 

Após duas altas seguidas, o mercado manteve a estimativa para o patamar da taxa de câmbio no fim de 2010. A mediana das previsões para a cotação da moeda norte-americana ao final de dezembro seguiu em R$ 1,80. Quatro semanas atrás, a estimativa para o câmbio no fim deste ano estava em R$ 1,75.

 

Para 2011, a previsão para a taxa de câmbio no fim do ano que vem seguiu em R$ 1,85. Há um mês, as estimativas dos analistas estavam em R$ 1,83.

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