Andre Dusek/Estadão
Andre Dusek/Estadão

Economistas projetam Selic em 4,25% pela primeira vez

Conforme o Relatório de Mercado Focus, divulgado pelo Banco Central, 

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2019 | 09h14
Atualizado 04 de novembro de 2019 | 17h17

BRASÍLIA - Na esteira do último corte de juros promovido pelo Banco Central, os economistas do mercado financeiro passaram a projetar a Selic (a taxa básica da economia) em 4,25% no início de 2020. Se confirmado, isso representará um novo piso histórico para os juros no Brasil. Até a semana passada, o mercado estimava uma Selic em 4,50% no início do próximo ano.

Na última quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC reduziu a Selic de 5,50% para 5% ao ano. Mais do que isso, a instituição sinalizou que em dezembro deve promover nova redução de 0,50 ponto porcentual do juro básico. Por trás disso está a percepção de que a recuperação da atividade econômica no Brasil segue em “ritmo gradual”, sem pressionar a inflação.

Apesar de indicar que a Selic cairá meio ponto porcentual em dezembro, o BC afirmou que terá “cautela” em novos ajustes da taxa básica no futuro. Isso porque a Selic já se encontra no menor nível da história.

Neste contexto, a avaliação dos economistas, conforme o Sistema de Expectativas de Mercado do relatório Focus, foi de que a Selic cairá para 4,50% ao ano em dezembro e, na sequência, para 4,25% ao ano em fevereiro. Depois disso, a taxa básica deve permanecer neste nível até setembro de 2020, quando voltaria a subir.

Os dados do Focus mostraram ainda que, dada a fraqueza da economia, a inflação deve seguir em níveis confortáveis nos próximos anos. A projeção do mercado para o IPCA – o índice oficial de inflação – em 2019 está em 3,29%. Para 2020, o índice projetado é de 3,60% e, para 2021, de 3,75%. Em todos os casos a projeção dos economistas para a inflação está dentro da meta perseguida pelo BC. Para 2019, a meta é de 4,25%, sendo que a margem de tolerância é de 1,5 ponto porcentual (índice de 2,75% a 5,75%). Para 2020, a meta é de 4%, com margem de 1,5 ponto (de 2,50% a 5,50%). No caso de 2021, a meta é de 3,75%, com margem de 1,5 ponto (de 2,25% a 5,25%).

PIB

No Focus, a expectativa de crescimento da economia em 2019 passou de 0,91% para 0,92%. Para 2020, o mercado financeiro manteve a previsão de alta do Produto Interno Bruto (PIB), em 2,00%.

Em setembro, o BC atualizou sua projeção para o PIB em 2019, de alta de 0,8% para elevação de 0,9%. Já a expectativa do BC para o crescimento do PIB em 2020 é de 1,8%.

No Focus de hoje, a projeção para a produção industrial de 2019 seguiu em baixa de 0,73%. Há um mês, estava em baixa de 0,65%. No caso de 2020, a estimativa de crescimento da produção industrial passou de 2,10% para 2,06%, ante 2,29% de quatro semanas antes.

A pesquisa Focus mostrou ainda que a projeção para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB para 2019 foi de 56,30% para 56,20%. Há um mês, estava em 56,10%. Para 2020, a expectativa foi de 58% para 58,15%, ante 58,30% de um mês atrás.

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