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Fogo de Chão é avaliada em US$ 502 milhões

Rede de churrascaria espera levantar até US$ 91 milhões com oferta de ações nos EUA

O Estado de S.Paulo

09 de junho de 2015 | 02h03

A rede de churrascarias Fogo de Chão, fundada por brasileiros, mas hoje controlada por americanos, pretende levantar até US$ 91 milhões em sua oferta inicial de ações nos Estados Unidos. Com base nas informações enviadas ontem à Securities and Exchange Comission (SEC, a CVM americana), a companhia pode ser avaliada em US$ 502 milhões, se todas as ações forem vendidas.

A empresa vai emitir de 4,4 milhões a 5 milhões de ações na Nasdaq, com preço estimado entre US$ 16 e US$ 18, sob o símbolo "Fogo". Se vender no piso desse intervalo, seu valor de mercado cai para US$ 436 milhões. O dinheiro captado com essa operação será destinado ao refinanciamento de dívidas.

Controlada por um fundo de private equity, que compra participações em empresas para vender no futuro com lucro, a rede de churrascarias protocolou no fim de abril seu pedido de abertura de capital. O anúncio não chegou a ser uma surpresa para o mercado, já que a bolsa de valores é um caminho natural para esse tipo de fundo se desfazer de suas participações. Em 2012, quando comprou o controle da companhia por US$ 400 milhões, os executivos do fundo americano Thomas H. Lee (THL) já falavam em levar a empresa à bolsa num prazo de três anos.

Com 26 restaurantes nos Estados Unidos, 9 no Brasil e 1 em Porto Rico, a Fogo de Chão faturou no ano passado US$ 262,3 milhões - mais do que os US$ 219,2 milhões de um ano antes. Na mesma comparação, a empresa passou de um prejuízo de US$ 937 mil para lucro de US$ 17,6 milhões. No primeiro trimestre deste ano, a Fogo de Chão lucrou US$ 4,7 milhões. A receita foi de US$ 54,7 milhões nos EUA e US$ 10,2 milhões no Brasil.

História. Os cotistas do THL não serão os primeiros a embolsar milhões com a rede de churrascaria. Os irmãos Arri e Jair Coser foram os primeiros milionários da Fogo de Chão. Os dois abriram a primeira unidade em 1979 em Porto Alegre (RS) e nos anos seguintes levaram o churrasco gaúcho para o eixo Rio-São Paulo e depois expandiram a operação para os EUA.

A gestora brasileira GP Investimentos entrou no negócio em 2006, com a aquisição de 35% da rede por US$ 64 milhões. Em agosto de 2011, a GP comprou o restante da Fogo de Chão por estimados R$ 180 milhões - o valor, à época, não foi revelado.

Os irmãos Coser saíram completamente do negócio e, com o dinheiro que levantaram, abriram novos restaurantes. Arri toca a casa de carnes NB Steak e Jair Coser, a Corrientes 348, especializada em parrilla.

A entrada da GP no capital da churrascaria impulsionou o plano de expansão da empresa. Quando o GP entrou, em 2006, a rede tinha nove unidades. Quando vendeu a participação para os americanos, já eram 25 restaurantes. O investimento na Fogo de Chão proporcionou à GP uma rentabilidade, em dólar, de cerca de 25% ao ano.

A Fogo de Chão se diferenciou das outras churrascarias por investir na qualidade do atendimento. A empresa foi uma das primeiras a ter ar-condicionado no salão e bufê de saladas, por exemplo, quesitos raros em churrascarias nos anos 80 e que hoje são comuns em restaurantes do gênero. Nos Estados Unidos, a rede ainda opera com gerentes brasileiros, de preferência gaúchos como os fundadores.

A companhia não é a primeira aposta do THL no segmento de restaurantes. O fundo já foi acionista da rede Dunkin' Donuts, com o Carlyle e a Bain Capital. Assim como pretende fazer com a rede de churrascarias, o THL deixou a Dunkin' em 2012, por meio de uma oferta inicial de ações no mercado de capitais americano. / Agências internacionais

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