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Fogo petropolítico

Agora que o governo dá os primeiros passos em direção à recuperação da Petrobrás, a greve dos petroleiros ajuda a afundá-la

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2015 | 21h00

A greve dos funcionários da Petrobrás chega nesta terça-feira a seu décimo terceiro dia, com uma pauta que apenas acidentalmente contém reivindicações trabalhistas.

Após dois encontros realizados nesta segunda com representantes da direção da empresa, as lideranças decidiram pela continuação da greve por tempo indeterminado. 

Os objetivos dos petroleiros são políticos, como reconhece José Maria Rangel, coordenador da Federação Única dos Petroleiros (FUP). No seu “aviso à sociedade”, o site da FUP declara que o primeiro objetivo da greve é evitar a privatização (sic) da Petrobrás. O segundo é, também, do arco da velha: exigir o fim do ajuste fiscal do atual governo. 

Por privatização, entendem os líderes da greve, o atual programa de desinvestimento, ou seja, a proposta de venda de ativos da empresa para que possa recompor seu caixa, controlar seu endividamento - que vai para R$ 500 bilhões - e iniciar a sua recuperação. Não consideram “privatização” os recursos embolsados por vários grupos do País nos últimos dez anos.

Nesse sentido, a greve dos petroleiros posiciona-se contra o governo Dilma, na medida em que tanto a venda de ativos como o ajuste fiscal são decisões que partiram daí. Eles argumentam que estão na oposição de um governo controlado na prática pelo PMDB. E contrariam interesses do Estado, na medida em que pretendem efeitos contra o Tesouro, o acionista majoritário.

Os funcionários da Petrobrás têm representantes no Conselho de Administração, mas acham que podem decidir o que deve ou não ser feito com os ativos da empresa independentemente das instâncias decisórias estatutárias. Em lugar da venda de ativos, sugerem a reestatização da Petrobrás por R$ 30 bilhões, sem apontar de onde virão os investimentos. Em lugar do ajuste, não sugerem nada.

A atual diretoria da Petrobrás já reconheceu a dilapidação da empresa tanto por corrupção, em pelo menos R$ 6,2 bilhões, quanto por graves erros administrativos, que a lesaram em pelo menos R$ 44,3 bilhões. Por isso, no fim de março, promoveu baixas patrimoniais do seu balanço. Além disso, o governo Dilma também impôs uma política de represamento de preços que sangrou o caixa da Petrobrás em alguma coisa em torno dos R$ 60 bilhões desde 2008.

Enquanto a Petrobrás era assim saqueada, nem seus funcionários nem os sindicatos entenderam que devessem pressionar o governo e a sociedade com iniciativas de cunho político, como esta, para defendê-la dos predadores.

Agora que o governo dá os primeiros passos em direção à recuperação, ajudam a afundá-la. É um movimento suicida produzido por gente que se propõe a apoiar “a companheira Dilma” e que, no entanto, concorre para desestabilizá-la. O último balanço recolhido nesta segunda-feira pela própria FUP dá conta de que a greve atingiu 58 plataformas e 11 refinarias. A Petrobrás reconheceu sexta-feira que, nesse dia, a greve foi responsável pela redução de 115 mil barris de petróleo de sua produção.

Porque prejudica um grande celeiro de empregos diretos e indiretos, essa greve deve ser vista também pelo seu caráter antitrabalhista. Mas, se consegue paralisar boa parte da categoria, é porque o PT e também o governo Dilma mantêm uma atitude ambígua em relação aos movimentos corporativos.

CONFIRA:

As expectativas do mercado, tal como levantadas semanalmente pelo Banco Central (Pesquisa Focus), continuam em deterioração. A mediana das projeções de cerca de 100 instituições para a inflação deste ano avançou de 9,91% para 9,99%. Para 2016, aumentou, de 6,29% para 6,47%.

Encolhimento do PIB

Pioraram também as projeções para o PIB. O mercado passou a esperar para este ano uma queda do PIB de 3,10% (na semana passada, apostava em queda de 3,05%); e para o ano que vem, revisou para um recuo de 1,90% (antes era queda de 1,51%).

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