André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

‘Foi difícil, mas agora me respeitam’

Enfermeira assumiu chácara após ficar viúva

Douglas Gavras, O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2018 | 20h00

Ao ficar viúva, dez anos atrás, Maria de Fátima Diogo, de 50 anos, não sabia o que fazer para sustentar os dois filhos. A maranhense radicada em Brasília viu uma saída na chácara que o casal tinha comprado, em Brazlândia, no Distrito Federal, região famosa pela produção de morangos.

“O meu marido era médico e eu trabalhava com ele na clínica. Quando ele se foi, fiquei sem rumo. A gente tinha essa propriedade, para passar os fins de semana. Depois, os meus pais foram morar lá, quando saíram de Sambaíba ( MA). A gente comprou a chácara para ser uma válvula de escape e acabou sendo muito mais que isso. Eu, que antes de ir para Brasília sempre tinha vivido na roça, pensei: ou a gente faz essa terra produzir ou fica sem ela.”

A necessidade fez a Chácara Diogo começar a produzir morango e tomate-cereja – além de goiaba, graviola e outros produtos que nascem nos 5 hectares. Maria de Fátima vende a produção em mercados locais. “No início era difícil, mulher de madrugada, descarregando frutas. Agora eles me respeitam. Quando investi na plantação, financiei um caminhão e um trator.”

Além de conseguir manter a propriedade, a produção prosperou, fazendo Maria de Fátima buscar os irmãos que moravam no Maranhão para ajudar na plantação e na colheita. “A volta para o campo começou sendo por necessidade, mas virou a minha vida. Não penso mais em voltar para a cidade, não troco a roça por nada.”

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Quem também fez uma troca como essa foi a advogada Rita Oliveira, de 56 anos. Ela deixou os processos e a rotina de Curitiba, comprou uma fazenda no interior do Paraná em 2005 e não se arrepende. “Eu fui criada na cidade e antes o agronegócio não tinha o glamour que tem hoje. Meu pai dizia que eu tinha de ser advogada, como ele, para ser alguém na vida. Hoje, eu sinto que venci nas duas funções e tenho orgulho delas.”

Uma pesquisa com mulheres que atuam no agronegócio publicada no fim do ano passado pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) aponta que, embora muitas delas trabalhem em propriedades rurais principalmente por vir de uma família de produtores, uma grande parte (36,2%) escolheu o campo.

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“Apesar de muitas terem sido criadas afastadas das decisões e acabarem comandando uma propriedade por acaso, as mulheres não estão se intimidando, sabem que podem ir além e demarcar território”, diz Teresa Vendramini, diretora executiva da Sociedade Rural Brasileira.

Os dados também apontam que a maior parte delas sente-se totalmente preparada para o trabalho e que 59,2% se consideram sócias ou donas das propriedades.

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