''''Foi o Brasil que travou Doha''''

Comissária da UE se diz desiludida com posição do País

O Estadao de S.Paulo

13 de outubro de 2007 | 00h00

A comissária européia de Agricultura e Desenvolvimento Rural, Mariann Fischer Boel, afirmou que a Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) "foi travada pela posição do Brasil".Fischer Boel, que iniciou ontem visita oficial à Argentina, disse em entrevista publicada no jornal Clarín que se "desiludiu muito" com o resultado da reunião de junho em Potsdam (Alemanha) entre Estados Unidos, União Européia (UE), Índia e Brasil."Fiquei desiludida pelo fato de o Brasil não abrir as indústrias. Fracassou por sua posição e perdemos a oportunidade de chegar a um acordo." Fischer Boel disse que desde a reunião em Hong Kong da OMC, em 2005, americanos e europeus enviaram mensagens claras de redução de tarifas, o que dará possibilidades de acesso a mercados como o de carnes."Na indústria devem nos dar algo em troca. Houve progressos, mas apareceu o grupo Nama-11 (aliança de países em desenvolvimento produtores de bens não-agrícolas da qual faz parte o Brasil) e lamento que o Brasil não desse mais um passo", disse. A comissária européia lembrou o peso do Brasil que também representa nas negociações pela liberalização do comércio mundial (Doha) o chamado G-20, grupo formado por países em desenvolvimento, e o Mercosul. Fischer Boel disse que, se a Rodada Doha não der resultados positivos este ano, "passará talvez para 2010", por causa das eleições no próximo ano nos Estados Unidos.Na segunda-feira, Fischer Boel vem ao Brasil e se encontra com representantes da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil e do Fórum Permanente de Negociações Agrícolas Internacionais. Ela também deve se reunir com o ministro interino da Agricultura, Silas Brasileiro. A comissária visitará produtores de etanol e açúcar.

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