Foi um ‘erro’ admitir a Grécia no euro em 2001, diz Sarkozy

'País entrou com dados econômicos falsos, não estava preparado', disse o presidente da França

Ricardo Gozzi, da Agência Estado,

27 de outubro de 2011 | 19h50

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, declarou nesta quinta-feira, 27, que foi um "erro" a Grécia ter sido admitida no euro dez anos atrás. "Foi um erro porque a Grécia entrou com dados econômicos falsos. Ela não estava preparada", disse Sarkozy em uma aparição na televisão francesa menos de 24 horas depois de um acordo de líderes da zona do euro para solucionar a crise da dívida que afeta a região há um ano e meio e também para ancorar o sistema bancário.

"Nós temos de fazer frente a tudo isso", declarou o líder francês, citado pelo jornal britânico The Guardian. "Se o euro tivesse explodido ontem à noite, toda a Europa teria explodido junto. Se a Grécia tivesse dado calote, haveria um efeito dominó que arrastaria todo mundo junho. Nós tomamos decisões importantes que evitaram uma catástrofe", declarou Sarkozy, segundo a reportagem do Guardian.

Apesar de ter considerado um erro a entrada da Grécia para o euro em 2001, Sarkozy declarou-se otimista com relação à capacidade do país de solucionar agora sua crise da dívida. "Nem eu nem (a chanceler alemã Angela) Merkel estávamos no poder quando foi decidida a admissão da Grécia no euro", comentou ele à TV francesa. "Mas a Grécia pode se salvar" graças às decisões tomadas ontem na cúpula de Bruxelas, concluiu.

China 

Sarkozy afirmou ainda que a ajuda da China não é necessária para salvar o euro, mas renovou seu pedido de integração do país asiático aos mercados mundiais, dizendo ser "essencial" que o yuan participasse do sistema global de câmbio.

"Se os chineses, que controlam 60% das reservas mundiais de câmbio, decidem comprar euro em vez de dólar, por que deveríamos nos recusar", questionou Sarkozy. "Nossa independência não será colocada em risco."

A Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, em inglês) anunciou mais cedo que seu executivo-chefe, Klaus Regling, viajará à Pequim amanhã para discutir como a China pode contribuir com o fundo.

Bancos

O presidente da França também disse que o governo do país vai monitorar atentamente os bancos para garantir que eles retenham dividendos e cortem bônus pagos a executivos com o objetivo de fortalecer os níveis de capital.

Os quatro principais bancos da França precisarão levantar € 8,8 bilhões para possuir 9% de capital Tier 1, conforme foi determinado pela União Europeia. Essas instituições financeiras disseram que conseguiriam gerar rapidamente essa quantia por meio de lucros futuros e de vendas de ativos.

Sarkozy disse também que o banco central da França vai se reunir com os bancos do país nos próximos dias. As informações são da Dow Jones.

(com Gustavo Nicoletta, da Agência Estado)

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