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''''Foi uma decisão sábia, que atenua a crise internacional'''', diz Mantega

Para o ministro, problemas não acabaram e decisão do BC americano mostra preocupação com a recessão

Renata Veríssimo, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2019 | 00h00

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, avaliou ontem que o corte nas taxas de juros nos Estados Unidos é um reconhecimento de que a turbulência nos mercados financeiros globais ''''é mais séria do que se pensava e ainda vai demorar algum tempo para se dissipar''''.Para ele, a decisão do Federal Reserve (Fed) é uma reação à possibilidade de redução da atividade econômica nos EUA. ''''Não há preocupação com a inflação. Então, a preocupação agora é com uma possível deflação proveniente da desaceleração da atividade'''', observou.Mantega disse acreditar que a redução dos juros indica que o Fed está disposto a propiciar a acomodação suave do mercado à crise. ''''Em vez de uma acomodação mais brusca, mais forte, estão optando por um ajuste mais suave'''', disse. Ele espera que haja alívio para o crédito e para os juros. ''''Foi uma decisão sábia, que será muito positiva para os mercados, para atenuar essa crise internacional.''''No entanto, o ministro alertou que a decisão do Fed não significa o fim da turbulência global. Para ele, a crise é séria, de grandes proporções, e está atingindo mais as economias avançadas do que as emergentes. ''''Ainda vão pipocar problemas em instituições financeiras, principalmente em países avançados'''', previu. ''''Nós só podemos ter uma avaliação do pior dos cenários depois dessa turbulência se dissipar.''''BOM PARA O BRASILPara Mantega, o Brasil tem atravessado ''''muito bem'''' essa crise. Mas admitiu que uma desaceleração na economia mundial, principalmente na China e na Índia, poderá provocar queda nas exportações brasileiras de commodities. Ele acha que essa perda no mercado externo seria compensada com o aumento do consumo interno.Para o ministro, a pior das hipóteses é o País crescer pouco abaixo de 5% em 2008. ''''É prematuro para saber, temos que esperar mais alguns meses para ver o desfecho dessa crise para saber até que ponto ela (a crise) pode nos afetar. Mas estou bastante otimista'''', disse.Segundo Mantega, o Brasil tem consolidado uma posição forte, o que o torna atrativo para investimentos. Dessa forma, avalia, a valorização do real ante o dólar é conseqüência desse desempenho. ''''Não se pode ter as duas coisas ao mesmo tempo: manter o real desvalorizado e ter uma expectativa mais favorável sobre o Brasil'''', afirmou.O ministro também não vê motivos para que o Banco Central (BC) freie a queda dos juros no Brasil. ''''Essa turbulência internacional não tem afetado a inflação. Pelo contrário, se ela se prolongar e afetar o comércio internacional, vai abaixar os preços'''', disse.O gerente do Departamento de Pesquisas e estudos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), André Rebelo, tem avaliação semelhante à de Mantega. Para ele, a redução dos juros nos Estados Unidos agradará ao BC brasileiro. ''''O BC vai gostar porque ajudará a conter a inflação no Brasil'''', disse.Essa opinião tem base na avaliação de que a diferença ainda maior entre os juros dos dois países acabará valorizando o real em relação ao dólar, o que tende a diminuir os preços no mercado doméstico, após um mês de inflação elevada.''''Temos um aumento do diferencial entre as duas taxas em um momento em que se trombeteia aos quatro cantos que vamos parar de cortar a Selic'''', avaliou. ''''A medida aumentará a barriga entre as duas taxas.''''A taxa Selic está atualmente em 11,25% ao ano e há quem defenda o fim do ciclo de afrouxamento monetário iniciado em setembro de 2005. A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC está marcada para outubro.O que chama a atenção de Rebelo é a magnitude do corte do juro americanos. ''''Um corte de 0,50 ponto porcentual em uma taxa de 5,25% representa redução de praticamente 10%. Seria o equivalente a cortarmos a Selic em 1,25 ponto.'''' A decisão mostra também, na avaliação de Rebelo, que o BC norte-americano não teme tomar decisões mais fortes quando elas são necessárias.COLABOROU CÉLIA FROUFEREPERCUSSÃOAlexandre PóvoaDiretor da Modal Asset Management"Baixou o espírito de Greenspan no Fed (em referência ao ex-presidente do BC americano, conhecido por intervenções agressivas em crises)" André RebeloGerente da Fiesp"O BC vai gostar porque a medida ajuda a conter a inflação no Brasil (ao analisar que o aumento da diferença entre os juros dos dois países valoriza o real e diminui os preços internos)"Delfim NettoEx-ministro "Afinal, o Brasil é o último peru disponível (ao avaliar que o corte poderá gerar uma atração ainda maior de capitais para o País, porque aumenta a diferença entre os juros dos EUA e do Brasil)"José Márcio CamargoProfessor da PUC-RJ e sócio da Tendências "(A magnitude) do corte pode estar sugerindo algo mais dramático do que as pessoas estavam pensando. (...) O corte é surpreendente"

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