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'Fomos gentilmente convidados a aceitar nosso despejo'

Executivos tiveram de deixar YPF enquanto expropriação era anunciada

BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2012 | 03h06

Duas dezenas de executivos da Repsol, entre argentinos e espanhóis, foram removidos de forma taxativa, embora polida, no início da tarde de segunda-feira do edifício da Repsol-YPF. Na mesma hora em que os diretores eram obrigados a deixar as instalações da empresa, a presidente Cristina Kirchner anunciava em rede nacional de TV a expropriação da petrolífera.

Os funcionários da YPF tiveram 15 minutos para deixar tudo e abandonar o edifício. "Acho que até para sair de Pompeia houve mais tempo", ironizou um dos removidos do 32.º andar, onde concentravam-se os diretores da empresa e seus assessores. O andar ficou praticamente vazio depois da intervenção ordenada por Cristina Kirchner. "Fomos 'gentilmente' convidados a aceitar nosso despejo".

O despejo foi comandado por Rodrigo Baratta, representante do governo argentino no Conselho de Administração da YPF, que conhecia todos os executivos expulsos. Baratta entrou na YPF acompanhado por 15 pessoas que olhavam para os executivos, segundo alguns descreveram, de forma intimidante.

"Não houve violência, pois todos acatamos as ordens. A retirada das pessoas foi formal, embora taxativa", disse uma fonte da empresa, que pediu para não ser identificada. "Conseguimos sair com alguns objetos pessoais. Mas não pudemos, por exemplo, fechar e-mails dos computadores nem levar nossos laptops."

Os funcionários - entre os quais executivos, gerentes e até secretárias - não puderam levar pastas ou agendas. Depois de sair, os funcionários expulsos não sabiam como proceder em relação aos celulares e automóveis que pertencem à YPF.

Na sequência, todos os integrantes da segurança privada da YPF foram substituídos por homens de confiança do governo. Além disso, os servidores de e-mail e internet foram bloqueados, de forma a impedir o acesso dos funcionários removidos a suas contas pessoais.

Após a saída dos executivos, os integrantes da diretoria interventora subiram ao 33.º andar e ali, sentados à mesa que havia pertencido até uma hora antes ao catalão Antonio Brufau, presidente da Repsol, pediram o almoço que originalmente estava preparado para os executivos que haviam sido despejados. Os garçons não titubearam em obedecer as ordens dos novos chefes, que fizeram sua primeira refeição no salão de luxo da empresa. / A.P.

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