Fontes limpas unem inovação e modernidade
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Fontes limpas unem inovação e modernidade

Contribuição da eficiência energética pode representar 20% do consumo total de energia no Brasil até 2050

Media Lab Estadão, O Estado de S.Paulo
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09 de dezembro de 2020 | 10h51

Diante de um contexto de avanços tecnológicos cada vez mais rápidos e de provas de mudança de comportamentos e exigências dos consumidores no sentido de uma economia digitalizada, conectada, compartilhada e ambientalmente responsável, o planejamento energético brasileiro para as próximas décadas inclui necessariamente as contribuições que possam ser trazidas pela eficiência energética e a inserção de fontes modernas e disruptivas.

A chamada eficiência energética, que é o contínuo aperfeiçoamento do uso racional das fontes existentes e a inserção de outras fontes mais econômicas, pode contribuir com 15% a 20% do total de redução do consumo total de energia em 2050, de acordo com projeções do Plano Nacional de Energia elaborado pela EPE. Isso equivale a algo como 40 GW médios. E essa projeção pode até ter ultrapassada. A CBIE Advisory, por exemplo, acredita que o relatório subestima o avanço da utilização dos carros elétricos (VEs) e do futuro papel a ser desempenhado pelo biogás na geração distribuída.

O presidente da Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia (Abesco), Frederico Araújo, concorda com essa visão mais otimista. Para uma fácil visualização ele cita o tema da iluminação pública, uma vez que prevalece na maioria das cidades brasileiras de todas as dimensões o uso de tecnologia antiga como as lâmpadas de vapor de sódio. “O uso de LED pode gerar economia de até 70% de energia em horários de pico”, estima.

Essa “cultura do desperdício” é generalizada nacionalmente na opinião de Araújo e só passa por mudanças bruscas em tempos de crise. Ele lembra que foi apenas no chamado “apagão” de 2001 que o brasileiro reduziu o uso de freezers domésticos e que passou a buscar equipamentos com o selo Procel. Nessas mudanças, os processos de digitalização também trazem grande contribuição porque muitas empresas têm investido na gestão da energia com base em tecnologia, criando e usando hardwares e softwares sensoriais que captam dados e tomam as soluções. “Já temos uso de inteligência artificial e de machine learning. Uma monitoração em tempo real pode gerar economia de 15% a 20% no consumo de energia”, calcula.

Uma grande contribuição paraesse uso eficiente da energia e que já está inserido no moderno contexto de economia circular e da descentralização do fornecimento é a cadeia da bioenergia. Novas empresas e startups como a ZEG Energia Renovável já tiraram seus projetos das planilhas e estão operando comercialmente na transformação de resíduos sólidos urbanos e nas sobras da produção do agronegócio em fontes limpas como o biogás e biometano.

Segundo Daniel Rossi, CEO da ZEG e sócio da investidora Capitale Energia, a subsidiária ZEG Biogás é pioneira em capturar o metano gerado de aterros e conseguiu desenvolver uma tecnologia de biodigestores que permite o crescimento do negócio de forma modular, portanto acompanhando a demanda. “O aterro sanitário passa a fornecer energia para rede elétrica e a produzir biocombustível. E o agronegócio vai ser um dos maiores produtores de biogás do mundo. Isso vai trazer eficiência ambiental e energética”, prevê Rossi.

Na ponta urbana, a primeira planta da ZEG foi instalada no bairro paulistano de São Mateus e vai aproveitar o biogás do Centro de Tratamento de Resíduos Leste. Segundo a empresa, tem potencial para produzir 90 mil metros cúbicos de combustível por dia. No agronegócio, um dos destaques é o projeto no Pará de aproveitamento dos rejeitos do uso do óleo de palma da MarBorges Agroindustrial. A unidade ZEG Ambiental consegue transformar o resíduo em biogás, que volta como eletricidade para a própria fábrica. E no final do processo ainda gera uma água limpa

que é usada na irrigação.

No futuro,mercado será pulverizado e limpo

No horizonte, surge um mercado de energia passando do tradicional modelo centralizado para a pulverização na produção e no fornecimento. Além disso, o número de players deve crescer e novas fontes de energia, cada vez mais limpas, também estarão presentes. Essa é previsão de Sami Grynwald, diretor da consultoria Thymos Energia, para o cenário nacional. “Hoje, o medidor é unidirecional, mas no futuro todo mundo vai poder ser gerador de energia e poderá vendê-la”, afirma o consultor, que lembra que muitos bancos e empresas de investimentos já têm aportado recursos nesses projetos.

Para Grynwald, o hidrogênio desponta como combustível do futuro. De fato, no PNE 2050 da Empresa de Pesquisa Energética essa fonte tem espaço relevante entre as outras consideradas disruptivas. Principalmente porque suas aplicações podem contribuir para metas de descarbonização, armazenamento e segurança no abastecimento. “Em princípio, é um concorrente para o diesel e para o óleo combustível. E pode ser uma alternativa para região Norte, que tem problemas para entrar no Sistema Interligado Nacional”, opina o consultor.

A EPE também coloca como uma possibilidade o aproveitamento da chamada energia dos oceanos, ou das marés, baseada em um estudo de 2013 da Coppe que estimou um potencial teórico de 114 GW o literal brasileiro. Grynwald pondera, no entanto, que a despeito de um projeto piloto nesse sentido estar em andamento no Ceará, não acredita nessa fonte como um contribuidor importante no futuro. A geotermia, que é o aproveitamento de energia térmica do subsolo superficial, é outra tecnologia que entrou no planejamento da EPE para 2050. Embora já esteja em uso na área de edificações de alguns países desenvolvidos e na Bolívia, o uso do calor da terra deve ter pouca força no Brasil, segundo o diretor da Thymos.

Se há uma projeção da EPE que Grynwaldconfia e concorda é na importância cada vez maior que as inovações tecnológicas em biotecnologia vão trazer para a matriz energética nacional. O potencial do uso de resíduos para a geração de eletricidade e combustível é enorme na opinião do consultor. “Caso todo o potencial gerado em aterros sanitários fosse aproveitado, daria entre 3,5 GW e 4 GW, praticamente o mesmo que Belo Monte”, compara. Uma curiosidade citada por Grynwald é que essa transição da matriz do modelo hídrico para o térmico, que é mais caro, permitiria puxar as tarifas para baixo devido ao estímulo à competição.

 

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