'Forasteiros' ajudam a explicar sucesso recente de Vitória

Taxa que mede a quantidade de migrantes na população apresenta forte crescimento na região nos últimos anos

CAROLINA RUAS , ESPECIAL PARA O ESTADO / VITÓRIA , O Estado de S.Paulo

27 de dezembro de 2012 | 02h05

Em 1993, o comerciante Innocencio Garcia Campos convidou a esposa para uma viagem de férias em um local diferente, prometendo uma terra pouco explorada e com litoral paradisíaco. Após 15 horas de carro, partindo de São Paulo, o casal chegava pela primeira vez a Vitória, capital do Espírito Santo, onde voltaria no ano seguinte para se instalar e constituir família.

Assim como o comerciante, milhares de pessoas vindas dos grandes centros urbanos migraram para o Espírito Santo, em especial a capital Vitória, desde os anos 90 até hoje. Segundo pesquisa do IBGE, a porcentagem de nascidos fora do Estado aumentou de 14% para 24% em 2012, uma das maiores expansões do País.

Quase 20 anos depois e morando em Vila Velha (cidade vizinha que compõe a Grande Vitória), Innocencio afirma que foi a melhor decisão que tomou na vida. "Eu precisava dar uma arrancada na minha vida financeira e aqui encontrei, além de um bom retorno profissional, uma excelente qualidade de vida."

Três filhos capixabas e duas lojas do ramo de utilidades domésticas instaladas no centro da capital foram acrescentados à história do casal, que hoje nem cogita voltar a morar em São Paulo.

Migrante nos anos 2000, Geovani Spies, 59 anos, é outro paulista que mudou o endereço para Vitória. Ao passar uma virada de ano com amigos capixabas em 2004, o empresário pôde conhecer a cidade e enxergar as potencialidades que o cenário lhe oferecia. Desde 2006, tem sua empresa de perícia automotiva instalada na ilha.

"Vimos um nicho de mercado que não existia por aqui e deu muito certo. A verdade é que aqui é uma terra de oportunidades ainda não exploradas, muito diferente de São Paulo, onde já está tudo pronto e tem muita concorrência", justifica.

Segundo o prefeito de Vitória, João Coser (PT), a vinda não só de paulistas, mas de cariocas, mineiros e baianos, entre outros "estrangeiros", se deu após um crescimento econômico tardio, porém comedido, da cidade.

"Algumas características que a tornam atraente são a qualidade de vida e o desenvolvimento do setor de serviços e comércio que aconteceu em um espaço urbano limitado", afirma.

"A cidade é uma ilha, nunca vai crescer (em termos populacionais) como um grande centro urbano, o que faz com que possa ser estruturada para receber investimentos e oferecer bem-estar", completa o prefeito.

Entre as capitais do Brasil, Vitória possui o terceiro melhor Índice de Desenvolvimento Humano. Segundo o levantamento da Brookings Institution, a oferta de empregos em Vitória chama a atenção: 82% de alta entre 1990 e 2012, ante 37% de todo o Brasil.

Esse dado é fruto, em especial, da chegada de grandes empresas que exploram recursos naturais do Estado, como a Vale e, recentemente, a Petrobrás; além das facilidades econômicas concedidas na atividade portuária, principal ativo econômico da cidade.

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